O mercado bovino paranaense é considerado pelos especialistas um dos melhores em qualidade. Mas ele representa apenas 6% da produção nacional. Em termos de exportação, a quota paranaense é quase nula. Segundo o consultor Milton Dalari, assessor da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), o que falta é um sistema industrial com capacidade para processor 2 mil bois por dia. ‘‘Na verdade falta vontade empresarial para que isso ocorra no Paraná. Existe mercado. Não existe vontade’’, destacou.
O Paraná movimenta apenas o mercado interno. Entre os meses de julho e dezembro, o Estado é um excelente exportador para outros estados. Mais de 50% vai para São Paulo nesse período. Entre janeiro e junho, o Paraná é importador. As maiores importações são feitas do Mato Grosso do Sul. Está havendo um desajuste estrutural na pecuária paranaense que tem 9,5 milhões de cabeças’’, considerou Dalari.
Uma das necessidades emergenciais apontadas pelo consultor, durante uma palestra promovida ontem pela Faep, é a reforma tributária para acertar os incentivos fiscais. ‘‘A guerra fiscal só prejudica os produtores agropecuários. Enquanto o governo não colocar um ponto final nisto, teremos dificuldades para atrair indústrias do ramo’’, analisou.
O mercado nacional de carne bovina está crescendo. Atualmente, 93% da produção é voltado para o mercado interno; 7% para exportações. Para este ano, a previsão é a de que o PIB nacional tenha o maior incremento na agropecuária. O crescimento do setor deve ser da ordem de 4,7%. Para o ano que vem, a previsão é de 3,4%. ‘‘A crise energética provocou queda de crescimento no setor industrial e de serviços. A agricultura sofre, mas muito menos’’, salientou ele.
As maiores exportações são voltadas para a UE, América Latina e Estados Unidos. O País é o quarto maior exportador de carne bovina. Perde apenas para a Austrália (1,2 milhão de t), Estados Unidos (1 milhão de t) e UE (650 mil t). As exportações seguem quatro tipos de mercado externo: venda de carne desossada (54%), carne industrializada (39%), extratos e sucos (5%) e miudezas (2%). No mercado nacional, o setor gera 5 milhões de empregos diretos.

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