Carne bovina exportada tem alta de 5%
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segunda-feira, 03 de julho de 2000
Eduardo Magossi Agência Estado 
Os preços da carne bovina brasileira exportada para a União Européia registraram um aumento médio de cerca de 5% no último mês. Este aumento, segundo representantes do setor de frigoríficos e analistas do setor, é decorrente da escassez interna de animais, que está elevando o preço da arroba. A partir de hoje, a União Européia passa a praticar uma tarifa de importação menor para a carne bovina mas a expectativa é de que esta redução de tarifas tenha pouco efeito nos preços.
O que manda realmente na formação de preços é a relação entre oferta e demanda e existe uma redução de oferta de animais para fornecer carne neste momento, disse Dominic Mac Dermot, diretor da área de exportação dos Frigoríficos Bertin. Segundo ele, esta ligeira alta é uma tentativa do Brasil em elevar os preços da carne exportada mas é muito cedo para dizer se a estratégia dará certo já que a carne argentina está mais barata neste momento. Dermot afirmou, contudo, que os preços não aumentam simplesmente porque houve uma redução dos impostos e da tarifa de importação da União Européia.
Existem vários impostos e tarifas que a União Européia utiliza em suas importações e os que foram reduzidos vão beneficiar apenas uma pequena parcela de carne brasileira que é importada, disse. Isto porque a União Européia tem uma maior demanda por um tipo específico de carne, que é a in natura resfriada. O Brasil possui uma cota de 5 mil toneladas - chamada Cota Hilton - para exportar carne in natura resfriada com o benefício de tarifa fixa zero e imposto de importação de cerca de 20%. As exportações que ultrapassam o limite de 5 mil toneladas têm que pagar um imposto de cerca de 12% e mais uma tarifa fixa que já chegou a ser US$ 4.500 por tonelada mas, a partir de julho, foi reduzida de US$ 3.150 para algo em torno de US$ 2.950 (o valor exato depende da cotação do euro e do dólar). A redução destas tarifas pela UE - já acordadas desde a Rodada Uruguai do Gatt - também vale para outros tipos de carne, como a in natura congelada, mas o Brasil exporta pouco volume destas outras variedades para a Europa, o que reduz ainda mais os efeitos de uma redução de tarifas.
Para Ênio Marques, diretor da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), a redução das tarifas ajuda o Brasil a tornar-se mais competitivo no exterior. Os preços do Brasil são competitivos e a redução das tarifas, juntamente com o fato do Brasil já ter certificados de áreas livre de aftosa, devem contribuir para que o Brasil consiga ampliar suas vendas para a UE a preços melhores, disse. Porém, Rosa Mondelli, diretora de exportação do Frigorífico Mondelli, explica que, apesar da oferta menor de boi, o que tem feito muitos frigoríficos a reduzirem seus abates e oferecer um menor volume de carne tanto no mercado externo como interno, alguns cortes bovinos tiveram seus preços reduzidos, como o filé mignon. Isto é um sinal de que o que rege o mercado é mesmo a oferta e demanda, disse. Para José Vicente Ferraz, da FNP Consultoria, a redução das tarifas da UE não deve se traduzir em preços maiores no curto prazo. A redução das tarifas significa que o Brasil tornou-se mais competitivo na União Européia. Em um momento como este é comum os preços ficarem menores já que este ganho de competitividade do Brasil tem que ser utilizado para se conquistar novos mercados, disse.


