Carne Angus do Estado será certificada
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quinta-feira, 12 de abril de 2012
Victor Lopes <br> <br> Reportagem Local 
O crescimento da demanda por carnes diferenciadas no Paraná nos últimos anos fez com que a Associação Brasileira de Angus (ABA) anunciasse ontem, durante a ExpoLondrina, uma parceria com a Cooperaliança, de Guarapuava, a mais tradicional cooperativa de carnes nobres do Estado. A negociação durou por volta de três anos e a partir de agora toda a carne produzida pela cooperativa sai com selo de qualidade da raça. É a primeira unidade certificadora de Angus do Estado, que já possui 14 plantas frigoríficas no Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, São Paulo e Goiás.
A Cooperalinça foi a selecionada por já possuir todo um sistema da cadeia produtiva integrado até o consumidor final, vendendo carnes de novilhos superprecoces e hiperprecoces de extrema qualidade. Ao todo, são 38 produtores cooperados que produzem animais Angus e Cruza Angus. Dos 12 mil animais abatidos por ano pela cooperativa do sudoeste, 45% estão ligados à raça escocesa. ''Queremos aumentar a rentabilidade do produtor, que consegue comercializar esta carne entre 8% e 10% acima da média de mercado. Com a certificação, vamos conseguir aumentar nossa produtividade, tornando o Estado um forte player da carne nobre no País'', explicou Reynaldo Salvador, diretor do programa de certificação da Angus.
De acordo com Edio Sander, presidente da Cooperaliança, toda a produção de carnes nobres é consumida no próprio Estado. Um quilo de picanha de carne Angus custa, por exemplo, em torno de R$ 50 no Paraná. Em São Paulo, o corte pode chegar a R$ 80 o quilo. ''Hoje abatemos por volta de 500 animais da raça por mês. Com a certificação, esperamos que este número suba pelo menos para 600 animais no segundo semestre'', salientou.
De fato, a evolução dos preços para quem lida com os animais puros ou híbridos é significativa. Claudio Azevedo é produtor de bezerros da raça em Guarapuava e relata que hoje consegue comercializar o quilo do animal vivo para os terminadores (produtores que finalizam a produção do animal) a R$ 4,30 o quilo. ''Há dez anos, nosso animal não era valorizado. Foi a demanda do consumidor por uma carne diferenciada, de qualidade, que fez com que chegássemos nestes patamares. O fato de toda a cadeia ser bem remunerada veio de toda esta exigência do cliente final'', avaliou ele, que produz por volta de 600 bezerros por ano.
Apesar de toda a excelência na produção de carnes nobres, o secretário da agricultura e abastecimento do Estado do Paraná, Norberto Ortigara, que participou do evento da Associação de Angus, salientou que o Estado ainda está longe de ter uma eficiência produtiva de carne. ''Estamos terminando os animais com 37 meses, o que é muito demorado. Temos que investir em toda a cadeia da carne, mexer na fase nutricional dos animais. Não adianta ter boa produção se não temos qualidade'', decretou ele.


