Curitiba - O fato do carnaval ter caído na primeira quinzena de fevereiro pode reduzir a inadimplência registrada no comércio este mês. A previsão é da Associação Comercial do Paraná, que ontem divulgou também os índices de inadimplência realtivos a janeiro. Segundo o vice-presidente de serviços da ACP, Élcio Ribeiro, o carnaval antecipado pode ajudar algumas famílias a controlar melhor o seu orçamento.
''No ano passado, o carnaval foi comemorado no final de fevereiro (no dia 24) e isso acabou prolongando o período de férias das famílias. Como nas férias a tendência é que as pessoas realmente gastem mais, algumas famílias ficaram inadimplentes em relação aos compromissos assumidos antes das férias'', explicou Ribeiro.
Além do carnaval, outros fatores influem tradicionalmente na atividade comercial em fevereiro, especialmente o pagamento de impostos como o IPTU e o IPVA, e a compra de material escolar. Além desses pontos de pressão no orçamento das famílias, a tendência de alta da taxa de juros estipulada pelo Banco Central deve ser outro fator decisivo nas vendas do mês.
''Embora a alta dos juros já viesse ocorrendo desde o fim do ano passado, ela não teve impacto nas mercadorias do Natal, porque eram compras já programadas. Agora vai depender muito da decisão do setor industrial em repassar esse aumento nos juros de uma só vez ou gradualmente. Se esse aumento for repassado de uma só vez, o comércio sairá prejudicado'', analisou Ribeiro.
A conjuntura desses fatores irá determinar se o comércio em fevereiro pode repetir o desempenho de janeiro. Segundo um relatório da ACP, o número de consultas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) realizadas pelos comerciantes em janeiro foi o segundo maior dentre os registrados historicamente pela associação para o mês, o que indica um bom número de vendas a prazo no período.
Já o número de consultas ao VideoCheque - indicador das vendas à vista - foi o menor desde janeiro de 1998. Para Ribeiro, a queda nas consultas já era esperada. ''Gradualmente, o cheque está sendo substituído por outras formas de pagamento, especialmente os cartões. É uma tendência que já vinha sendo registrada ao longo dos anos'', afirmou Ribeiro.

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