Curitiba - As noites de Carnaval perderam o glamour dos bailes fechados e das fantasias suntuosas, confeccionadas sempre com muita antecedência, mas não perderam a alegria e a criatividade. Hoje, as fantasias são bem mais simples, originais e, principalmente, bem mais baratas, adaptadas ao bolso do brasileiro. Diferente do Carnaval à moda antiga, os foliões - exceto os de escolas de samba - têm preferido apenas com um toque carnavalesco, sem os exageros antigos de plumas e paetês.
Em fevereiro, os armarinhos (loja onde se vendem miudezas e material para costura e outros ornamentos) chegam a faturar de 20% a 50% a mais do que nos demais meses do ano, compensando o mês de janeiro, que é de recesso para praticamente todos os setores do comércio. ''Mesmo gastando menos, com enfeites de baixo custo, o mês de fevereiro dá uma boa alavancada nas vendas'', garante Luiz Imoto, proprietário da loja Armarinhos Santa Rita. Variedade e originalidade não faltam. Para as mulheres, principalmente, há uma ampla diversidade de opções baratas e criativas, como perucas a R$ 6,90, boás (pluma estreita e comprida usada pelas mulheres em volta do pescoço) a R$ 22, máscaras que variam de R$ 3,50 a R$ 9,90, penas para enfeite na cabeça de R$ 0,15 a R$ 3 e colar havaiano a R$ 0,65.
Na loja Bandeirantes Tradicional os homens também podem encontrar opções legais e igualmente baratas, como máscaras do presidente Lula e do Osama Bin Laden, que custam cerca de R$ 7; e quepes de marinheiro, que variam de R$ 3,20 a 5,40, o mais sofisticado. ''Para as mulheres, também temos boas opções, como perucas a R$ 7; boás, que variam de R$ 44 a 70; marabu (enfeite de penas de marabu, espécie de cegonha que habita na África e na Índia) a R$ 5; saias havaianas que variam de R$ 4,40 a R$ 7,40; e correntes metálicas que podem variar de R$ 0,75 o metro a R$ 6,65 o metro. Não tem desculpa para não se fantasiar no Carnaval. Com R$ 10 dá para sair com uma fantasia completa, e bem original'', garante o proprietário da Bandeirantes Tradicional, Paulo Casagrande.
Para Casagrande, o faturamento, há cerca de dez anos, era muito superior, uma vez que a contribuição das prefeituras para as escolas de samba eram maiores. O comerciante conta que já chegou a vender, em anos anteriores, uma tonelada de confetes. ''Hoje em dia, o confete e a serpentina já não fazem mais parte do Carnaval. O Carnaval é mais simples.'' Por isso, segundo o lojista, o movimento maior começa sempre na semana da festa, mas mesmo assim, alavanca as vendas, que, para ele, aumentam cerca de 50% em relação a outros meses do ano. ''Como bons brasileiros tudo fica a última hora'', brinca.

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