Dorico da SilvaCarreira precoceCarlos Eduardo, 17 anos e 6 de profissão: ‘‘Nunca esbanjei’’Com apenas 17 anos, o auxiliar administrativo Carlos Eduardo dos Reis já tem seis de profissão. Trabalhando desde os 11, diz que logo aprendeu a dar valor ao dinheiro. ‘‘Compro só o necessário, nunca esbanjei’’. Ele ganha um salário mínimo, não tem cheque e nem cartão de crédito. A preocupação, agora, é aumentar o orçamento. Há 15 dias nasceu sua primeira filha, Cauane. Nos finais de semana, ele reforça a renda doméstica fazendo entrega para uma distribuidora de água mineral. Por causa deste trabalho extra, teve de reduzir o tempo de lazer, em que praticava esportes e andava a cavalo.
As notícias de aumento de juros, queda de bolsa de valores e recuo de investimentos não assustam e nem tiram o bom humor de Carlos Eduardo. ‘‘Os preços de algumas coisas subiram e é por isso que estou fazendo bicos nos fins de semana’’, diz.
O medo do desemprego faz Carlos Eduardo manter-se firme nos estudos. Além de estar cursando o segundo grau no período noturno, o auxiliar administrativo passa as tardes entre lições de redação empresarial e um curso profissionalizante do Senac, que intercala com os serviço extra na distribuidora. O seu currículo já é extenso, apesar da pouca idade. Tem diplomas de introdução à administração, cálculo comercial, educação ambiental e ética no trabalho. ‘‘Isto vai me ajudar a arrumar emprego melhor’’, espera.
Mas os planos para o futuro são outros. Ele sonha em se tornar fotógrafo, profissão que, segundo ele, reúne atributos fundamentais, o ‘‘prazer de reportar imagens’’ e a possibilidade de um bom salário. ‘‘Tenho certeza de que é uma função que dá dinheiro’’, diz. (Pedro Livoratti)

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