Cargas adulteradas aumentam no Porto de Paranaguá
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 09 de abril de 2003
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba Quase 800 caminhões e 250 vagões carregados com soja e milho foram impedidos de descarregar no pátio de triagem do Porto de Paranaguá, durante o mês de março. A carga foi refugada em decorrência do elevado percentual de impurezas que vinham sendo exportadas junto com os grãos. A fiscalização aumentou o rigor e algumas empresas estão recorrendo a tentativas de fraudes para passar a carga.
A Guarda Portuária foi acionada e está mantendo vigilância severa sobre os caminhoneiros suspeitos. Foi o que aconteceu com os motoristas Adelino da Silva e Luiz Carlos Costa, que foram presos pela Delegacia de Polícia Civil de Paranaguá quando tentavam fraudar a fiscalização para passar cargas com cerca de 27% de impurezas. Os motoristas estavam trazendo cargas embarcadas por um cerealista de Nova Prata do Iguaçu, 78 quilômetros ao Norte de Francisco Beltrão.
Um dos motoristas tentou descarregar a carga com impurezas no pátio de triagem do Porto de Paranaguá. Foi barrado na classificação de produtos, feita pela Empresa Paranaense de Classificação de Produtos (Claspar), e enviado de volta ao local de origem. O motorista, porém, encontrou o colega do mesmo município que estava com carga livre de impurezas e que já havia obtido o carimbo de qualidade emitido pela Claspar.
Eles trocaram o ''cavalo'' do caminhão (parte da frente do veículo), e tentaram passar a carga com impurezas com o carimbo de qualidade já emitido anteriormente. Só que os motoristas não contavam que estavam sendo filmados pela Guarda Portuária, que acionou a Polícia Civil para efetuar o flagrante durante a segunda tentativa de passar a carga.
Essas apreensões mostram que a Claspar está agindo com rigor e conta com o apoio da Guarda Portuária. ''Sempre fizemos este serviço de classificação, mas agora a ordem é para mandar de volta qualquer veículo que for flagrado com carga contendo impurezas acima do permitido'', disse Cesar Elias Simão, gerente da Claspar em Paranaguá.
A Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA) está dando cobertura à Claspar porque não quer arriscar a credibilidade do porto paranaense no exterior.


