Carga tributária volta a superar 40% do PIB
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quinta-feira, 29 de junho de 2006
Folhapress 
São Paulo - A carga tributária brasileira voltou a superar 40% do Produto Interno Bruto (PIB) -soma de todas as riquezas de um país - no primeiro trimestre deste ano. Segundo estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), a carga tributária atingiu 40,69% do PIB entre janeiro e março deste ano, contra 37,06% nos últimos quatro meses de 2005 e 41,23% em igual período do ano passado.
De acordo com instituto, entretanto, tradicionalmente, é no primeiro trimestre de cada ano que a carga tributária atinge seu maior nível, em razão da baixa atividade econômica, aliada à concentração no vencimento de tributos, como Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).
O total de tributos federais, estaduais e municipais arrecadado no primeiro trimestre de 2006 somou R$ 194,87 bilhões, segundo estudo do IBPT divulgado ontem. Neste mesmo período, o PIB brasileiro totalizou R$ 478,9 bilhões, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Para o presidente do IBPT, Gilberto Luiz do Amaral, a carga tributária brasileira continua a ser um entrave ao crescimento da economia do País. ''Apesar de apresentar leve queda em relação ao primeiro trimestre do ano passado, o índice de arrecadação da União, Estados e municípios continua com muita substância'', afirmou.
Segundo dados divulgados ontem pelo IBGE, nos primeiros três meses do ano passado, o PIB somou R$ 438,2 bilhões. No último trimestre de 2005, alcançou R$ 521,8 bilhões.
No mês passado, o IBGE divulgou que o crescimento do PIB nos primeiros três meses de 2006 foi de 1,4%, o que representou a maior alta em um ano e meio. Em todo o ano passado, a expansão foi de 2,3%.
Entre janeiro e março, o consumo das famílias agregou ao PIB R$ 277,8 bilhões, segundo o IBGE. Os investimentos representaram R$ 97,69 bilhões e o consumo do governo somou R$ 84,56 bilhões. Os impostos foram responsáveis por R$ 54,25 bilhões.
Somente a alta dos investimentos animou economistas fez com que o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) elevasse de 3,4% para 3,8% a projeção de expansão da economia brasileira em 2006 no início deste mês.
Na análise por setores, a indústria contribuiu com o equivalente a R$ 168,5 bilhões. Já a agropecuária e os serviços somaram R$ 34,7 bilhões e R$ 248,3 bilhões, respectivamente.
A taxa de investimento correspondeu a 20,4% do PIB no primeiro trimestre. Trata-se da maior taxa para o primeiro trimestre desde 2001. No mesmo período do ano passado, havia sido de 20%. Já a taxa de poupança chegou a 21,6% do PIB, o que representa uma queda de 0,7 ponto percentual em relação ao primeiro trimestre de 2005.
O PIB é a soma dos bens e serviços produzidos por um País. É formado pela indústria, agropecuária e serviços. Ele mostra o comportamento de uma economia. O PIB também pode ser analisado a partir do consumo, ou seja, pelo ponto de vista de quem se apropriou do que foi produzido. Nesse caso, o PIB é dividido pelo consumo das famílias, pelo consumo do governo, pelos investimentos feitos pelo governo e empresas privadas e pelas exportações.


