Carga tributária reduz caixa para investimentos
Quando o relógio desperta de manhã, o brasileiro vai para o trabalho consciente de que mesmo quando esteve dormindo estava pagando impostos. Muitos impostos. O empresário no Brasil, seja ele proprietário de uma micro, pequena ou grande empresa, percebeu nos últimos anos que tem um sócio que não está no contrato social da empresa, não tem sala, não participa das decisões, não admite correr riscos, mas que se coloca como sócio majoritário, abocanhando quase 40% de tudo o que a empresa produz. Este sócio é o governo.
Segundo o presidente do Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-Londrina), José Joaquim Martins Ribeiro, além do governo, se o empresário deve para algum banco, ele arruma outro sócio poderoso. ''Dias atrás o presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu, em entrevista à Folha de São Paulo, que nunca os bancos ganharam tanto dinheiro no Brasil como estão ganhando agora. Os bancos ganham demais e o governo também. Para o empresário sobram migalhas para manter sua família, sua empresa e investir no negócio'', comenta Ribeiro.
Esta semana, segundo o Impostômetro, o site criado pela Associação Comercial de São Paulo para mostrar a evolução da arrecadação de impostos no Brasil, o governo já havia arrecadado mais de R$ 700 bilhões. A cada minuto o governo bate um novo recorde de arrecadação. Isto numa economia que, no ano passado, cresceu apenas 3,2%, bem abaixo da média mundial, e um porcentual irrisório se considerados apenas os chamados países emergentes.
E o pior disto tudo é que o presidente Lula ainda vai para os jornais dizer que antigamente os chamados burgueses eram os produtores rurais e alguns industriais que mandavam prender e mandavam soltar, nomeavam delegados e prefeitos. Eram grupos de pessoas da sociedade civil que tinham poder econômico e decidiam. Mas isto não existe mais. Hoje o empresário luta desesperadamente para sobreviver num ambiente de risco constante, sendo obrigado a pagar uma carga tributária que está entre as mais altas do mundo e ainda sendo obrigado a assumir funções que deveriam ser do governo'',explica Ribeiro.
Segundo Ribeiro o presidente Lula está equivocado. O presidente do Sescap-Ldr afirma que no Brasil de hoje burguesia são servidores públicos, entre eles juízes, promotores, políticos e detentores de cargos comissionados que recebem altos salários sem dar a contrapartida devida para a sociedade. ''Com raras exceções, a burguesia do setor privado quebrou há muito tempo'', afirma Ribeiro.
As micro, pequenas e médias empresas são as responsáveis pela geração de mais de 80% dos empregos formais no Brasil. Na avaliação do presidente do Sescap-Londrina, elas contribuem muito e recebem pouco em troca. Além disso, diz Ribeiro, o empresário precisa ser motivador para que seus funcionários mesmo ganhando aquém do que seria ideal continuem produzindo. ''A verdade é que muitos carregam o piano para poucos tocarem''.
Fonte: Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina - Sescap-Ldr





