Carga tributária passou do 'limite', diz ministro
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segunda-feira, 22 de março de 2004
Fabiana Futema<br> Agência Folha 
São Paulo - O ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, aderiu ontem ao grupo de críticos da política econômica do País. Segundo ele, a carga tributária já atingiu o seu limite e não existe mais espaço para elevar os impostos.
''A carga tributária brasileira é o maior problema do País. Estamos no limite. Estamos passando do limite'', disse Furlan após ouvir o resultado da sondagem feita pelo grupo Lide (Líderes Empresariais) sobre o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
De acordo com a sondagem feita pelo grupo Lide, a carga tributária brasileira é o maior empecilho para o crescimento de 50% dos empresários ouvidos. Só 7% reclamaram dos juros. Outros 23% atribuíram à falta de demanda as dificuldades para o crescimento. Para 20%, o entrave para o crescimento é resultado do cenário político atual.
''Existe uma convicção dentro do governo de que a carga tributária chegou no limite. E há declarações permanentes do ministro (da Fazenda, Antonio) Palocci de que não existe intenção de aumentar carga tributária'', disse Furlan.
O ministro afirmou que a elevada carga tributária do País ''leva mais empresas para a informalidade e aumenta o desemprego''.
Segundo ele, a austeridade fiscal e monetária adotadas no começo de 2003 foram necessárias para o País voltar a obter crédito internacional. No entanto, Furlan, disse que o Brasil já superou essa fase.
''O governo precisava ter crédito e esse crédito foi em parte readquirido. Nesse momento, a vantagem de ter crédito precisa resultar em ações que gerem resultados.''
Furlan disse ontem que nem todos os integrantes do governo estão cumprindo a agenda de prioridades do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Para acabar com a paralisia que tomou conta do governo após o escândalo envolvendo Waldomiro Diniz, ex-assessor do ministro da Casa Civil, José Dirceu, Lula convocou uma reunião com todos os seus ministros. Furlan disse que essa reunião debateria o combate à burocracia que impede o andamento do governo.
Segundo ele, o presidente pediu que cada ministério apresentasse as suas prioridades. ''Dentro as prioridades dos ministérios, foram escolhidas as prioridades do governo. E o presidente, ele próprio, escolheu as prioridades das prioridades, que é uma página só. E ele disse que chova ou faça sol, essas prioridades máximas têm de ser cumpridas.''


