Carga tributária não pára de crescer
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 01 de setembro de 2006
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba- A alta carga tributária brasileira tem provocado várias consequências negativas para a economia como o baixo poder de compra dos assalariados e o encarecimento do preço final de produtos e serviços. Além disso, os tributos excessivos inibem investimentos por parte das empresas e impedem o desenvolvimento econômico.
Segundo o presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), Gilberto Luiz do Amaral, para gerar R$ 100 em riqueza nova é necessário pagar R$ 60 em tributos. Ele destaca que, por exemplo, se a energia elétrica não tivesse tributos, uma conta de R$ 100 cairia para R$ 52. Isso significa que nesta conta, R$ 48 são tributos, ou seja, quase metade do valor. Nos combustíveis, a cada R$ 100 que o consumidor gasta para abastecer o carro, R$ 57 são tributos.
Ele lembrou que, em carga tributária, o Brasil só perde para a Itália e a França, isso considerando as 16 maiores economias mundiais. No Brasil, os tributos representam 38% do Produto Interno Bruto (PIB), na Itália 41% e na França 43%. No Brasil, essa conta leva em consideração a arrecadação de impostos e contribuições do governo federal, a receita do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), do salário educação e da arrecadação de Estados e municípios.
Para Amaral, o que falta é vontade política para diminuir os tributos. ''A carga tributária é alta porque há gastos públicos em excesso. Os políticos reclamam que falta dinheiro mas falta a eles capacidade de bem administrar o dinheiro público'', disse.
Ele acredita que a continuidade dos programas sociais de distribuição de renda, sem que haja investimentos, vai provocar um esgotamento do sistema tributário brasileiro.
Para o vice-presidente da Federação dos Contabilistas do Paraná, Divanzir Chiminacio, a carga tributária é um entrave para o crescimento do País. Segundo ele, a tributação excessiva leva a menos dinheiro para investimento, menos produção e geração de riqueza e, por consequência, menos empregos.
''Não tenho dúvida que se o governo reduzir a carga tributária vai arrecadar mais a médio prazo. Ele acredita que as empresas que estão na informalidade passariam para a formalidade e registrariam em carteira os funcionários porque os encargos trabalhistas seriam menores.
Ele disse que os tributos que mais pesam para as empresas são os que incidem direto sobre o giro e o faturamento como PIS, Cofins, CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). ''Esses são os tributos que mais doem no bolso das empresas'', afirmou.
''Com a alta carga tributária a economia não funciona e não produz'', disse o vice-presidente da Associação Comercial do Paraná, Benedito Kubrusly Junior. Para ele, os empreendedores são punidos pela carga tributária no Brasil. O representante da ACP acredita que a saída seria diminuir impostos, fomentar o consumo e ter uma economia baseada na produção.


