Carga tributária impede o crescimento do País, diz Carlos Ghosn
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segunda-feira, 17 de junho de 2013
Andréa Bertoldi<br>Reportagem Local 
Curitiba - A carga tributária ainda é o principal entrave para o crescimento do Brasil e tem um peso muito forte sobre a economia. Como consequência, isso gera perda de competitividade para o País. As afirmações são do presidente do grupo Renault-Nissan, Carlos Ghosn, que esteve ontem em Curitiba. De acordo com ele, hoje 30% do preço que o consumidor brasileiro paga para comprar um carro é formado por tributos. Na França essa porcentagem é de16% e nos Estados Unidos 6%.
Segundo ele, mesmo com a alta taxa de impostos, o Brasil é um mercado com um dos maiores potenciais de desenvolvimento futuro. Ele considerou positivas as medidas que o governo federal adotou para tentar restabelecer a competitividade como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), a desoneração da energia elétrica e a tentativa de melhorar a eficiência logística dos portos brasileiros.
Não há nenhuma dúvida sobre o crescimento do Brasil. A grande pergunta é por que a taxa de crescimento do Brasil não é maior?, enfatizou. Segundo ele, as medidas que o governo adotou para impulsionar o crescimento da economia são positivas, mas ele defende que são necessárias mais ações governamentais nesta mesma direção para restabelecer a competitividade do Brasil.
Apesar de acreditar no potencial brasileiro, ele prevê que o mercado automotivo deve ficar praticamente estável neste ano. No entanto, o objetivo da Renault é continuar crescendo acima do mercado, destacou ele. Em 2016, a meta da montadora é alcançar 8% de participação no mercado brasileiro. A previsão da Anfavea é que o mercado de automóveis cresça 4,5% no primeiro semestre.
Segundo Ghosn, a cada seis ou sete anos é necessário fazer uma renovação na linha de produção da fábrica do Paraná. Ghosn disse que serão fabricados novos modelos na fábrica paranaense, mas não revelou mais detalhes. De acordo com o executivo, os modelos Sandero, Logan e Duster, fabricados no Estado podem chegar a uma participação mais alta de mercado. Em reunião ontem com o governador Beto Richa, ele disse que se a projeção de crescimento da participação da empresa no mercado nacional se confirmar, a montadora deve ampliar os investimentos no Paraná. Ele destacou que a empresa deve investir R$ 1,5 bilhão no Estado, como já tinha sido anunciado. O executivo também ministrou uma palestra para empresários na Fiep ontem.
Ghosn ainda destacou que a Renault tem uma cota de importação de 10 mil veículos. Com certeza queremos utilizar esta cota. Há vários candidatos. A decisão vai ser tomada nas próximas semanas, declarou. O veículo Captur pode ser um deles.
O presidente da Renault destacou que, no futuro, a capacidade de ter dirigentes na empresa que possuam a capacidade de restabelecer a companhia em um período de crise será essencial. Segundo Ghosn, na indústria automobilística, a capacidade de restabelecer o rumo de uma empresa quando há uma crisde é fundamental, somado à capacidade tecnológica.
O presidente do grupo lembrou ainda que a Europa continua mergulhada em uma forte crise econômica e o mercado europeu deve encolher 5% em 2013. Temos hoje na Europa, os mesmos patamares de mercado dos anos 90, comentou. Ele acredita que o mercado mundial deva crescer cerca de 2% a 3% neste ano. Os países que devem ajudar a puxar este crescimento são Brasil, Rússia, Índia e China.


