O Brasil é considerado o sexto pior país do mundo para se abrir um negócio. A burocracia faz com que a abertura de um empreendimento no Paraná, por exemplo, demore pelo menos 30 dias mas em outros Estados tempo gasto pode chegar até a 152 dias. Um estudo da Consultoria Trevisan, de São Paulo, feita no ano passado, mostra que o custo para a abertura de empresa no Brasil é de US$ 332, enquanto na Índia é de US$ 238 e na China, de US$ 134 só para citar dois países emergentes com os quais o Brasil concorre.
Hoje, o empresário precisa passar por até 13 órgãos distintos, com cada um exigindo uma ficha e uma documentação diferentes. Porém, mais do que a burocracia excessiva e os custos de abertura, o que assusta o empresário é a carga tributária descomunal existente no país. Nos primeiros meses deste ano a carga tributária bateu perto dos 38%.
''Hoje o empresário que conhece tributação e dispõe de algum dinheiro prefere aplicá-lo no mercado financeiro a correr o risco de abrir uma nova empresa'', comenta o professor de contabilidade da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Claudenir Tarifa.
O contabilista João Martins de Souza Filho, afirma que os que se arriscam a abrir empresas, hoje em dia, na verdade não são empreendedores de fato, mas pessoas que por algum motivo perderam o emprego e, para sobreviver, abrem uma micro ou pequena empresa. ''O risco destas empresas quebrar é enorme. A carga tributária aliada à inexperiência, conhecimento do mercado e a falta apoio por parte do governo são mortais para a maioria'', diz.
Contador há mais de 15 anos ele acompanhou de perto o boom de ex-funcionários de empresas estatais ou privadas que, estimulados pelos Programas de Demissão Voluntária (PDVs), resolveram ingressar no mundo empresarial. ''Sem apoio, linhas de crédito de longo prazo e sem assessoria a maioria quebrou'', lembra ele.
É por isso que o país precisa urgentemente aprovar a Reforma Tributária, defende o presidente Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-Ldr), José Joaquim Ribeiro. ''Somente os bancos estão ganhando dinheiro neste país''. Ribeiro diz que a única saída é a redução da carga tributária, a desoneração das empresas.
Segundo ele, os empregos oferecidos hoje pelo mercado não crescem na mesma proporção da necessidade do país. ''O governo precisa compreender de uma vez por todas que quem deve gerar empregos é a iniciativa privada. E o que vem impedindo o crescimento na oferta de vagas é a carga tributária paga pelas empresas. Depois de pagar os impostos e os custos da empresa, não sobra quase nada para investir. A carga tributária está matando os empresários e retardando o crescimento do país'', afirma.
É por isso, segundo Ribeiro, que as classes empresariais e até mesmo os sindicatos dos trabalhadores devem pressionar a classe política para resolver de vez a questão da Reforma Tributária. ''Depois da derrubada da MP 232, os nossos políticos estão mais conscientes que é importante apressar a reforma. É a grande oportunidade que eles têm para fazer a economia deslanchar, gerar empregos e bem estar para todos'', diz Ribeiro.

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