Carga tributária impede crescimento
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2005
Adriana Chiarini<br>Agência Estado 
Rio As indústrias consideram a carga tributária o maior entrave ao crescimento sustentado da economia nacional, seguida pelos juros em segundo e pela infra-estrutura deficiente em terceiro. Esse foi um dos resultados das questões especiais da Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação da Fundação Getúlio Vargas (FGV), realizada com 1020 empresas entre 20 de dezembro e 4 de fevereiro. A carga tributária, que já tinha sido campeã nisso na pesquisa de janeiro de 2004 com 56% dos votos, desta vez teve 58%, quase o dobro dos juros, indicados por 23% (ante 25% em 2004).
Do início de 2004 para cá, a proporção de empresas que apontou a carga tributária como o fator mais negativo cresceu principalmente no segmento de materiais de construção, de 33% para 76%. Mas também houve redução em dois segmentos: bens de capital (máquinas e equipamentos), de 74% para 66%, e bens intermediários (como celulose e plásticos), de 52% para 49%.
O porcentual dos que indicaram a infra-estrutura ruim como principal obstáculo ao crescimento aumentou de janeiro de 2004 para cá de 4% para 10%. ''Acho que isso não é só choradeira dos empresários'', disse o economista da FGV Samuel Pessôa, acrescentando que os investimentos da União caíram 30% em 2004 em relação a média do período de 1999 a 2002, descontando a inflação.
Capacidade Apenas 9% de 599 empresas consultadas pela FGV sobre investimento e capacidade instalada em janeiro acreditam em esgotamento de sua capacidade instalada ainda em 2005, caso o ritmo de demanda por seus produtos se mantenha constante. Outros 21% acreditam nessa possibilidade em um prazo superior a um ano e 71% dizem que isso não ocorrerá.
''Não há um problema generalizado de esgotamento da capacidade da indústria'', considera o economista Aloísio Campelo. De acordo com ele, a preocupação está concentrada no setor de metalurgia (que inclui as siderúrgicas), no qual 65% das empresas disseram acreditar no uso de toda a capacidade instalada ainda este ano. Pêssoa afirmou que ''as siderúrgicas usam uma tecnologia tal que precisam sempre trabalhar perto do limite (da capacidade)''.
Das empresas que não acreditam no gargalo da produção, 50% justificam que estão fazendo investimentos para expandir sua capacidade e 20% informam que ainda tem capacidade ociosa (20%).
Investimento Na média, a indústria de transformação prevê expansão de 8% na capacidade produtiva este ano e de 19% de 2005 a 2007. O setor com maior aumento previsto de 17% este ano e 32% de 2005 a 2007 é o de ''material elétrico de comunicação'', que inclui eletrodomésticos, eletroeletrônicos e equipamentos de comunicação, como celulares entre outros.


