Curitiba - Os empresários da região Sul acreditam que a carga tributária cobrada nos três estados é sua principal desvantagem em relação às demais unidades da União. Para eles, os governos do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul devem priorizar a redução dos tributos, sob pena de continuarem vendo a evasão de setores empresariais inteiros para outros estados, atraídos por menores impostos e planos de incentivos fiscais.
Essa é uma das principais conclusões da sondagem ''A Força da Região Sul'', realizada pela empresa de consultoria PricewaterhouseCoopers (PwC), que pela primeira vez abrangeu os três estados em uma mesma análise. Realizada no início do ano, o levantamento feito pela PwC envolveu empresários de 18 setores, nas esferas pública e privada.
O peso da carga tributária sempre foi reclamação recorrente do setor. Mas, para o consultor Carlos Biedermann, ''nunca houve uma percepção tão grande'' da necessidade de reduzir a tributação como forma de aumentar a competitividade do setor. Essa situação, segundo ele, está relacionada com a guerra fiscal entre os estados, com uma política agressiva de subsídios oferecida principalmente por estados do Nordeste.
Por outro lado, 72,3% dos entrevistados acreditam que este ano será melhor do que 2006. ''É uma expectativa de melhora moderada. Tanto que os empresários vão investir com cuidado e dentro da própria casa'', adverte o consultor. Segundo o levantamento, 79,3% dos empresários paranaenses pretendem investir no máximo R$ 15 milhões este ano, em sua maioria em itens internos, como melhoria das instalações, tecnologia, ações para melhorar a gestão e reduzir custos, essenciais para aumentar a competitividade.
Seguindo esse mesmo raciocínio, a contratação de pessoal também promete ser pequena. A metade dos entrevistados afirmou que pretende ampliar o número de empregados, enquanto 44% pensa em reduzir o número de vagas. Entre os que pretendem contratar, no entanto, 53% vão abrir no máximo 50 vagas, sendo que as admissões devem se concentrar nos níveis de menor qualificação, como analistas, assistentes e auxiliares. Um detalhe interessante é que 80% das contratações serão feitas em cidades do interior dos estados.
Outro dado que mostra o otimismo moderado do setor refere-se à estimativa com o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nacional: 52% acreditam que o PIB ficará em torno de 3%, percentual inferior à meta prevista pelo Governo Federal (5%). Apenas 6,9%, acreditam que o crescimento possa chegar a esse patamar.
No âmbito social, o tema ''segurança pública'' aparece com destaque entre as principais preocupações, seguido por educação, desemprego, saúde e impostos. Esse item merece cuidado especial dos governos. Segundo Biedermann, no passado as empresas afirmavam que a segurança era um item positivo para a região. ''Hoje isso não ocorre mais'', diz.
Em contraponto à carga tributária, os empresários paranaenses apontaram como principais vantagens do Estado em relação aos demais, a qualidade de mão-obra e qualidade de vida. Os setores mais promissores para o Estado, apontados por eles, foram o agribusiness (53%) e automotivo (48%).

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