Carga tributária é maior inimigo dos comericantes
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 16 de julho de 2002
Rosana FélixEquipe da Folha 
Curitiba - Está cada vez mais difícil para o comerciante sobreviver no mercado paranaense. Segundo dados da Junta Comercial do Paraná (Jucepar), de janeiro a junho deste ano 1.803 firmais individuais, abertas para comércio, foram fechadas. O número é 27% superior em relação ao mesmo período de 2001, quando foram fechados 1.417 pontos. As dificuldades que o setor enfrenta foram lembradas ontem, quando se comemorou o Dia do Comerciante, junto com alguns pontos considerados positivos no comércio.
Segundo o presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP), Marcos Domakoski, levantamento feito com os comerciantes mostra que as principais dificuldades do setor são a carga tributária, os juros altos e a falta de segurança. Esses problemas também tiraram o ânimo do empreendedor em abrir lojas. Entre janeiro e junho do ano passado, foram abertas 7.567 firmas individuais, e apenas 6.632 no mesmo período de 2002, uma queda de 12%. De acordo com a Jucepar, a primeira atividade de uma firma individual é o comércio, sendo que pode fazer prestação de serviço como atividade secundária.
''Há pontos a lamentar, mas também há o que se comemorar'', afirmou Domakoski. Segundo ele, o comércio emprega cerca de 500 mil pessoas no Paraná, sendo metade delas com carteira assinada e salário médio de R$ 450,00. ''Estamos falando de um setor que injetou R$ 4 bilhões na economia do Estado nos últimos 12 meses, cerca de 6,5% do PIB (Produto Interno Bruto)'', observou. Para Domakoski, o comércio ainda consegue atrair grandes investimentos. Ele citou como exemplo dois shoppings centers que serão construídos em Curitiba nos próximos meses.
O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Curitiba e Região Metropolitana (CDL), Newton Campos, também disse que a carga tributária é preocupante. Para ele, o setor produtivo deve ser incentivado. ''Quanto maior a produção, maior a classe empregada que pode gastar no comércio'', avaliou. Para ele, as dificuldades atuais na economia devem ser enfrentadas com criatividade do lojista. ''Nos momentos de crise é que surgem as grandes idéias e as saídas para quem persiste'', acrescentou.


