São Paulo - A carga tributária brasileira no primeiro trimestre do ano atingiu o valor de R$ 222,39 bilhões e chegou a 37,30% do Produto Interno Bruto (PIB), 1,03 ponto porcentual a mais que o registrado no mesmo período do ano passado, quando a carga estava em 36,27% do PIB e o governo arrecadou R$ 195,59 bilhões. A estimativa é do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT).
De acordo com o estudo do IBPT, descontada a inflação medida pelo IPCA, a carga tributária elevou-se em 10,2%, ou R$ 19,96 bilhões - o crescimento nominal foi de R$ 26,8 bilhões. No mesmo período, conforme divulgou ontem o IBGE, o PIB cresceu 4,3% e atingiu R$ 596,17 bilhões. A arrecadação per capita nos primeiros três meses do ano ficou em R$ 1.190,73. Por segundo, o governo arrecadou R$ 28.599,92, e por dia, R$ 2,471 bilhões.
Tradicionalmente, a maior parcela da arrecadação fica concentrada nos primeiros três meses do ano, quando vencem tributos como o Imposto de Renda, o IPVA e o IPTU, bem como são recolhidos tributos como o ICMS, PIS e Cofins referentes a dezembro do ano anterior, conforme explicou o presidente do IBPT, Gilberto Amaral.
''A eficiência da Receita Federal com o cruzamento de informações tem elevado o recolhimento de tributos e desestimulado a sonegação'', citou. Amaral disse ainda que o crescimento da economia expande a base de arrecadação e a queda dos juros diminui a inadimplência de empresários, que antes deixavam para pagar tributos somente após liquidarem dívidas.
Para Amaral, as desonerações que o governo anunciou ontem para os setores têxtil, de confecções, calçadista, moveleiro, eletroeletrônico e automotivo não têm efeito sobre o total da carga tributária. ''São desonerações muito tímidas, pontuais, apenas para alguns setores. Dessa forma, sem uma redução generalizada, não há como reduzir o total da carga tributária'', disse ele, lembrando que muitos dos setores não repassam as reduções tributárias aos preços para recuperar margens perdidas antes da concessão dos benefícios.
O presidente do IBPT destacou também que todos ajustes na tabela do Imposto de Renda feitos pelo governo Lula resultaram em aumento de arrecadação. ''O aumento na arrecadação do imposto de renda se deve principalmente à expansão da economia, ao crescimento do consumo das famílias e à elevação da formalização'', acrescentou.
Dados do IBGE - A economia brasileira apresentou uma expansão de 0,8% no primeiro trimestre deste ano em relação aos três últimos meses de 2006, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em valores, o PIB brasileiro totalizou R$ 596,2 bilhões.
O crescimento ficou dentro da estimativa de analistas, que previam alta entre 0,6% e 1,0% nessa base de comparação. Já em relação ao primeiro trimestre do ano passado, o PIB brasileiro apresentou crescimento de 4,3%, taxa em linha com expectativas, que variavam de 2,9% a 4,8%.
Pela ótica da oferta, o maior destaque coube ao setor de Serviços. O segmento apresentou expansão de 1,7% em relação ao quarto trimestre de 2006. Já indústria apresentou ligeira lata de 0,3%, enquanto agropecuária recuou 2,4%.
Os Serviços ganharam espaço com a revisão das contas nacionais e detêm o maior peso entre os setores. O crescimento desse setor tem se sustentado pelo aumento da massa salarial e do emprego.

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