Carga tributária afasta investimentos na região Sul
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terça-feira, 15 de abril de 2008
Cláudia Palaci<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A alta carga tributária e a política cambial são os fatores que mais espantam investidores da Região Sul. Esta foi a conclusão da 2 Sondagem Empresarial ''A Força Sul'', realizada pela consultoria Pricewaterhouse Coopers (PwC), com 81 empresas de grande porte, divulgada ontem, em Curitiba. Executivos dos três estados do Sul também revelaram que a maioria das empresas (71,6%) pretendem elevar os preços neste ano acima da inflação. Deste grupo, 89,6% devem prover um reajuste entre 10% e 53,4%. Mesmo assim, o clima é de otimismo pois boa parte dos entrevistados garantiram que as potencialidades da Região Sul são acima da média brasileira e que rentabilidade e produtividade, neste ano, serão superiores aos índices de 2007.
O levantamento indica que os maiores investimentos da região serão feitos no Rio Grande do Sul, conforme apontam 54,3% dos entrevistados, ficando o Paraná com 28,4% das indicações e Santa Catarina com 23,5%. Quanto ao mercado, a maior preocupação é em relação a concorrência externa. Para eles, as principais vantagens dos concorrentes em relação às indústrias locais são a capacidade de investimento maior e os custos inferiores. O principal destino dos investimentos anunciados são as instalações industriais (70,7%), ficando a produção com 41,3% e tecnologia com 40% das respostas.
Segundo Carlos Biedermann, da PwC, um detalhe deste estudo em relação aos passados é o item segurança que sempre foi apontado como uma vantagem competitiva e hoje já aparece no quesito desvantagens. Quanto a incidência tributária, ele aponta a Região Nordeste como o maior concorrente.''Há muitos gastos e a pesquisa diz que o empresariado quer investir mais, mas não tem como. Quanto aos reajustes, a entrada com força da Classe C e D no mercado consumidor pode gerar uma inflação por demanda, resultado da alta no poder aquisito e do bom momento econômico do País'', analisa.
A intenção de novos contratos é um desejo em 50% dos sabatinados. A maior demanda será por analistas, técnicos, assistentes e auxiliares. Neste item, a maior parte das vagas pode ser criada no Rio Grande do Sul, deixando o Paraná em segundo lugar. ''Quase 26% das empresas querem gente comprometida com o negócio, porque 23% pretendem aplicar no desenvolvimento de pessoal'', ressalta Luiz Afonso Cerqueira, do Instituto Brasileiro de Finanças (IBEF).
Os itens qualidade da mão-de-obra, localização estratégica e qualidade de vida, despontam o Paraná - que deve crescer economicamente neste ano para 39,5% dos executivos; como o Estado mais promissor no agronegócio (58%) e indústria automotora (42%). Setores impulsionados pela soja e montadoras, respectivamente. Curitiba ganhou o estatus de capital mais competitiva dentro da região com 45,7% da opinião, acompanhada de Porto Alegre (21%) e Florianópolis (17,3%)


