Carbendazim não deve afetar exportações de suco de laranja
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sábado, 14 de janeiro de 2012
Ricardo Maia <br> <br> Reportagem Local 
A identificação do fungicida Carbendazim no suco de laranja brasileiro no início dessa semana nos Estados Unidos, encontrado em uma dosagem não permitida pela Agência Americana de Alimentos e Medicamentos (FDA, na sigla em inglês) não deverá afetar as exportações brasileiras da bebida, segundo informações da Associação Nacional de Exportadores de Cítricos (CitrusBR). A substância, utilizada no Brasil para o combate de diversos tipos de pragas, principalmente a pinta preta, que afeta os laranjais, foi recentemente colocada na lista de defensivos proibidos pelo governo norte-americano.
No Paraná, especificamente para o controle da pinta preta, o uso do Carbendazim é proibido, segundo revela o chefe da divisão de fiscalização de insumos do Departamento de Fiscalização (Defis), da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), Adriano Riesemberg. De acordo com o especialista, o Defis não aceitou o produto para evitar esse tipo de fungo no Estado porque as empresas que trabalham com o princípio ativo não apresentaram todos os testes exigidos pela entidade para a implantação nessas culturas.
Questionado pela FOLHA sobre os possíveis riscos que a substância pode causar para a saúde humana, Riesemberg observa que todos os agrotóxicos são nocivos dependendo da quantidade utilizada. Ele reforça que o produtor deve seguir todas as orientações dos técnicos agrícolas para utilização de um determinado defensivo agrícola. ''Caso as regras não sejam seguidas, o agricultor ou aquele que recomendou o produto serão punidos'', sintetiza.
Influência zero
José Cicero Aderaldo, superintendente de negócios da Cocamar, cooperativa que chega a processar 7 milhões de caixas de laranja por safra, afirma que o mercado paranaense não será afetado com a notícia. ''Esse tipo de fungicida é utilizado há décadas, sendo aceito na Europa, Ásia e Oriente Médio'', esclarece. Leandro Cesar Teixeira, coordenador técnico da Cocamar, completa que no Paraná há poucas incidências da pinta preta, por isso não há muitos casos de uso desse tipo de substância. Quando há incidência do fungo, afirma ele, métodos de erradicação mais eficientes, como a retirada do pé, substituem o controle químico.
Paulo Andrade, engenheiro agrônomo do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), salienta que no Paraná, mesmo com uma produção ainda pequena perante outros estados, como São Paulo, maior produtor mundial, os citricultores estão investindo cada vez mais em qualidade de produção. Devido à essa excelência, o Paraná chega a exportar mais de 95% da sua produção de suco de laranja.
Mesmo com a safra ainda em esmagamento, a estimativa de produção de suco para a safra 2011 é de 36 mil toneladas, seis mil a mais do que na safra anterior. A média de produção de laranja do Estado, segundo Andrade, é de 600 mil toneladas da fruta em uma área cultivada de 24 mil hectares. ''O maior mercado do Paraná ainda continua sendo a Holanda, já que por meio desse país, o suco paranaense é distribuído para toda a Europa'', sublinha.


