O presidente da Caixa Econômica Federal, Emilio Carazzai, não acredita que a campanha da Central Única dos Trabalhadores (CUT) alertando os empregados sobre o programa de pagamento das diferenças do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) venha reduzir a adesão de trabalhadores que participem do termo de adesão à proposta do governo. O que o deixou otimista foram os números verificados já no primeiro dia de lançamento do programa. De acordo com ele, 90 mil trabalhadores assinaram o termo no primeiro dia, sendo 15 mil pela internet.
''Os números são factuais e vão na direção das nossas expectativas. Era essa a aspiração da sociedade'', disse Carazzai, que esteve ontem em Curitiba, participando de um seminário sobre déficit habitacional, organizado pelo Sindicato da Construção Civil. A estimativa do governo é que 60 milhões de optantes do fundo façam a adesão.
A CUT, no entanto, está alertando os trabalhadores para que só assinem o termo depois de terem conhecimento dos valores que têm a receber. O alerta é dirigido àqueles que têm mais de R$ 1 mil para receber e que terão a conta paga em pareclas semestrais. Um dos problemas, segundo a Central, é que quem tem direito a mais de R$ 2 mil terá de abrir mão de 15%. A CUT também critica o fato de o termo exigir que o trabalhador abra mão de recorrer das diferenças na Justiça. ''Isto não é verdade'', disse Carazzai, que fez questão de ressaltar que, apesar do trabalhador ter que desistir da via judicial ele ainda poderá discutir o valor recebido com a Caixa Econômica.
Sobre as declarações do ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, feitas na terça-feira, de que o governo poderá antecipar o pagamento da correção aos trabalhadoers que têm menos de R$ 1 mil a receber caso haja disponibilidade financeira, Carazzai afirmou que ''são apenas hipóteses''. ''O ministro só levantou uma hipótese. O presidente pode decidir antecipar o pagamento, previsto para junho de 2002 se tiver recursos no fundo. Mas nós só trabalhamos com previsões'', afirmou. (M.G.)

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