Londres - O secretário para Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Marcos Caramuru, procurou, ontem, durante palestra para cerca de 100 autoridades, investidores e analistas num seminário promovido pelo Institute of International Finance (IIF) na capital britânica, afastar os temores de que a dívida pública interna e externa do Brasil poderá ter de ser reestruturada em 2003. ''Estamos vendo no mercado algumas avaliações equivocadas sobre a dívida do governo'', disse Caramuru. ''Não há razões que justifiquem as previsões de reestruturação. O País está respondendo apropriadamente a este momento difícil.''
Ele disse que o Brasil está sendo pressionado pela conjuntura internacional adversa e pelas incertezas criadas pela sucessão presidencial. ''Mas essa incerteza política irá desaparecer assim que o novo governo anunciar suas posições.''
Segundo Caramuru, a posição fiscal do País é ''muito sólida'' e está dentro da meta acertada com o Fundo Monetário Internacional (FMI). ''Não há a menor dúvida de que o País irá atingir a meta de superávit primário acertada com o FMI, o que é um dado significativo'', afirmou. ''E para os próximos anos já está expresso o compromisso fiscal dos candidatos à Presidência.''
Caramuru ressaltou os bons resultados da balança comercial, que até a segunda semana de outubro registrava superávit acumulado de US $ 8,6 bilhões. E reafirmou também que o fluxo de investimento direto estrangeiro (IDE) para o Brasil deverá somar cerca de US$ 15 bilhões em 2002 e, entre janeiro e setembro, já alcançou US$ 12,8 bilhões. ''Como o déficit na conta corrente neste ano deve ser inferior a US$ 14 bilhões, o IDE será mais do que suficiente para cobrí-lo.''
Em relação à dívida externa do governo, Caramuru salientou que o seu volume de amortização nos próximos 15 meses é pequeno e será facilmente administrável. Ele frisou que a carga da dívida externa do setor privado é mais volumosa e isso está atraindo a atenção dos analistas. ''Mas essa dívida está relacionada a grandes companhias, com posições sólidas e que, inclusive, elas vem reduzindo-a nos últimos tempos.''
Em conversa com jornalistas, o secretário afirmou que está testemunhando ''um clima de maior otimismo em relação ao Brasil'' nos últimos dias. Ele comentou também as projeções apresentadas durante o evento pelo estrategista do JP Morgan, Graham Stock, que prevê que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deverá se contrair 1,5% em 2003 mas obterá um superávit da balança comercial de US$ 18 bilhões e terá o seu déficit na conta corrente reduzido para US$ 4,5 bilhões.

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