Captação líquida da poupança cresce 41% no Brasil
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sexta-feira, 01 de novembro de 2013
Andréa Bertoldi<br>Reportagem Local 
Curitiba Uma das aplicações preferidas pelo brasileiro, a poupança está em pleno crescimento no País. A captação líquida da modalidade - depósitos menos retiradas teve alta de 41,27% de janeiro a setembro em relação ao mesmo período do ano passado. Nos primeiros nove meses de 2012 foram R$ 33,186 bilhões de captação contra R$ 48,947 bilhões neste ano. No Paraná, os últimos dados disponíveis referentes apenas a depósitos, apontam para um volume de R$ 26,145 bilhões em junho de 2012 contra R$ 31,737 bilhões em junho deste ano. Os dados são do Banco Central (BC).
Para o consultor de finanças pessoais e empresariais e diretor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) de Londrina, Charles Vezozzo, os números mostram que houve uma melhora na cultura de poupança do brasileiro com objetivos como projetos pessoais ou mesmo para cobrir imprevistos. O brasileiro está preocupado com o futuro. Há uma maior conscientização das pessoas e até um temor do desemprego, disse.
Para o gerente de desenvolvimento de negócios do Sicredi, Adilson Félix de Sá, o aumento dos depósitos no Estado está diretamente ligado ao desempenho positivo do agronegócio com a safra. Isso também acaba trazendo reflexos para a indústria e o comércio. O Paraná colheu mais na safra e a preços maiores, destacou. Além disso, ele acredita que o aumento real dos salários também influenciou a elevação dos depósitos em poupança.
Hoje, 65% dos recursos que os bancos captam com poupança vão para crédito imobiliário e crédito rural. O restante fica nas instituições financeiras para manter a liquidez para eventuais saques dos poupadores.
A Caixa Econômica Federal divulgou ontem, no Dia Mundial de Poupança, que atingiu 50 milhões de poupadores no Brasil com mais de R$ 200 bilhões de saldo. Atualmente, são mais de 1,4 milhão de poupadores com até 15 anos de idade e 5,7 milhões com mais de 65 anos. As mulheres respondem por 51% das contas. E, nos últimos três anos, houve um aumento de 41% na quantidade de poupadores de classe média.
Félix de Sá disse que a poupança ainda é uma das aplicações mais procuradas pelos brasileiros porque é simples, segura, de fácil entendimento, tem isenção de impostos e permite fazer resgates em qualquer dia do mês. Além disso, conta com o Fundo Garantidor de Crédito que, caso aconteça algo com o banco, o cliente tem garantidos até R$ 250 mil por CPF (Cadastro de Pessoa Física).
Ele acredita que o volume de captação da poupança poderia ser maior caso houvesse um processo de educação financeira básica nas escolas. É importante ter uma reserva financeira para poder consumir lá na frente, disse. No caso de um imprevisto, a pessoa que não poupa acaba tendo uma despesa grande com o pagamento de juros de empréstimos bancários.
Sá recomenda que as pessoas tenham uma reserva financeira mínima que cubra as suas despesas por seis meses. A grande dificuldade de guardar dinheiro, segundo ele, está na camada da população que estava ávida por comprar o carro zero, a casa própria, eletrodomésticos e viajar.
Vezozzo recomenda que as pessoas poupem ao menos 10% da renda mensal. Quanto mais poupar melhor. Hoje, é necessário guardar dinheiro até para coisas básicas como imprevistos de saúde ou mesmo para fazer uma pós-graduação, disse.
Regras
Em 3 de maio de 2012 passaram a valer as regras da nova poupança para quem fizer depósitos a partir desta data. As poupanças antigas tinha rendimento calculado em 0,5% mais TR (Taxa Referencial). A partir de maio do ano passado, quando a Selic for igual ou menor que 8,5% ao ano, a poupança paga 70% da Selic e, quando ficar acima de 8,5%, vale a regra de 0,5% mais TR.



