Curitiba – Uma das aplicações preferidas pelo brasileiro, a poupança está em pleno crescimento no País. A captação líquida da modalidade - depósitos menos retiradas – teve alta de 41,27% de janeiro a setembro em relação ao mesmo período do ano passado. Nos primeiros nove meses de 2012 foram R$ 33,186 bilhões de captação contra R$ 48,947 bilhões neste ano. No Paraná, os últimos dados disponíveis referentes apenas a depósitos, apontam para um volume de R$ 26,145 bilhões em junho de 2012 contra R$ 31,737 bilhões em junho deste ano. Os dados são do Banco Central (BC).
Para o consultor de finanças pessoais e empresariais e diretor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) de Londrina, Charles Vezozzo, os números mostram que houve uma melhora na ‘’cultura de poupança’’ do brasileiro com objetivos como projetos pessoais ou mesmo para cobrir imprevistos. ‘’O brasileiro está preocupado com o futuro. Há uma maior conscientização das pessoas e até um temor do desemprego’’, disse.
Para o gerente de desenvolvimento de negócios do Sicredi, Adilson Félix de Sá, o aumento dos depósitos no Estado está diretamente ligado ao desempenho positivo do agronegócio com a safra. Isso também acaba trazendo reflexos para a indústria e o comércio. ‘’O Paraná colheu mais na safra e a preços maiores’’, destacou. Além disso, ele acredita que o aumento real dos salários também influenciou a elevação dos depósitos em poupança.
Hoje, 65% dos recursos que os bancos captam com poupança vão para crédito imobiliário e crédito rural. O restante fica nas instituições financeiras para manter a liquidez para eventuais saques dos poupadores.
A Caixa Econômica Federal divulgou ontem, no Dia Mundial de Poupança, que atingiu 50 milhões de poupadores no Brasil com mais de R$ 200 bilhões de saldo. Atualmente, são mais de 1,4 milhão de poupadores com até 15 anos de idade e 5,7 milhões com mais de 65 anos. As mulheres respondem por 51% das contas. E, nos últimos três anos, houve um aumento de 41% na quantidade de poupadores de classe média.
Félix de Sá disse que a poupança ainda é uma das aplicações mais procuradas pelos brasileiros porque é simples, segura, de fácil entendimento, tem isenção de impostos e permite fazer resgates em qualquer dia do mês. Além disso, conta com o Fundo Garantidor de Crédito que, caso aconteça algo com o banco, o cliente tem garantidos até R$ 250 mil por CPF (Cadastro de Pessoa Física).
Ele acredita que o volume de captação da poupança poderia ser maior caso houvesse um processo de educação financeira básica nas escolas. ‘’É importante ter uma reserva financeira para poder consumir lá na frente’’, disse. No caso de um imprevisto, a pessoa que não poupa acaba tendo uma despesa grande com o pagamento de juros de empréstimos bancários.
Sá recomenda que as pessoas tenham uma reserva financeira mínima que cubra as suas despesas por seis meses. A grande dificuldade de guardar dinheiro, segundo ele, está na camada da população que estava ávida por comprar o carro zero, a casa própria, eletrodomésticos e viajar.
Vezozzo recomenda que as pessoas poupem ao menos 10% da renda mensal. ‘’Quanto mais poupar melhor. Hoje, é necessário guardar dinheiro até para coisas básicas como imprevistos de saúde ou mesmo para fazer uma pós-graduação’’, disse.

Regras
Em 3 de maio de 2012 passaram a valer as regras da nova poupança para quem fizer depósitos a partir desta data. As poupanças antigas tinha rendimento calculado em 0,5% mais TR (Taxa Referencial). A partir de maio do ano passado, quando a Selic for igual ou menor que 8,5% ao ano, a poupança paga 70% da Selic e, quando ficar acima de 8,5%, vale a regra de 0,5% mais TR.

Imagem ilustrativa da imagem Captação líquida da poupança cresce 41% no Brasil
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