Agência Estado
O custo dos empréstimos tomados no exterior vai subir a partir de dezembro, com o fim da isenção de Imposto de Renda (IR) sobre a remessa de juros, mas ainda assim vai sair mais em conta para as empresas brasileiras recorrerem ao mercado internacional para captar recursos.
Os financiamentos feitos a partir de janeiro estarão sujeitos a uma alíquota de 15%, elevando em até um e meio ponto porcentual o custo das operações. Considerando a taxa média atual de uma captação, ela subiria para 11,5% ao ano.
O consultor Alcindo Ferreira, que chefiou o Departamento de Câmbio do Banco Central (BC) até 1995, observa que se considerar a variação cambial, a taxa de juros e a nova alíquota de 15%, ‘‘o tomador ainda vai encontrar um número menor do que as taxas do mercado doméstico para operações semelhantes’’.
O principal inconveniente, na sua opinião, é que o aumento no custo das operações externas vai acabar sendo embutido no Custo Brasil. ‘‘Essa taxação’’, ressalta Ferreira, ‘‘vai certamente entrar na avaliação de risco feita pelos bancos a cada concessão de empréstimo’’.
Para alguns executivos financeiros, a tributação não vai levar a uma antecipação de captações até o fim do ano. ‘‘Fica difícil para as companhias alterar um orçamento já definido, especialmente as estrangeiras, e ainda mais no fim do ano’’, disse Carlos Eduardo Sobral, presidente do Forex, entidade que reúne os executivos de câmbio internacional.
A chefe de crédito para América Latina do Standard Bank, Monalisa Guardas, é da mesma opinião. ‘‘A disposição dos tomadores brasileiros de antecipar empréstimos no exterior para evitar a tributação não é suficiente para mudar decisões de investimentos das instituições estrangeiras.’’ A medida mostra ao mercado internacional que o governo brasileiro está preocupado em garantir rapidamente o cumprimento das metas fiscais do próximo ano, mas de forma alguma pode mudar decisões de investimentos’’, diz a economista.
Os analistas já previam uma redução do fluxo de recursos para economias emergentes no último trimestre de 1999 por causa das remessas de lucros no fim do ano. Muito embora os temores com o bug do milênio tenham diminuído, ainda assim espera-se um movimento de remessas extras por cautela. Com isso, as principais instituições já vinham prevendo a retomada de investimentos somente para janeiro de 2000.

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