Captação dos fundos de investimento é recorde
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quinta-feira, 06 de julho de 2017
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 

Desestimulados com a queda da rentabilidade dos produtos de renda fixa decorrente da redução da taxa básica de juros (Selic) , os brasileiros redirecionaram seus capitais para os fundos de investimentos no primeiro semestre deste ano. Tendo crescido 156% na comparação com o mesmo período do ano passado, a captação líquida dos fundos (R$ 113,6 bilhões) tornou-se a maior da série histórica da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), que teve início em 2002. O balanço semestral foi divulgado nesta quinta-feira pela entidade.
Os fundos são divididos pela associação em oito categorias: renda fixa, de ações, multimercados, cambiais, de previdência, ETF (Exchange-Traded Fund), FIDC (Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios), e FIP (Fundos de Investimentos em Participações). E atingiram um patrimônio líquido de R$ 3,8 trilhões no mês passado.
Os de renda fixa e multimercados foram os principais responsáveis pela captação recorde, com 57,5% e 39%, respectivamente. O balanço da Anbima também mostra que as pessoas físicas nos segmentos varejo e private (investidor de alta renda) entraram com a maior parte dos aportes - R$ 42 bilhões e R$ 35,1 bilhões, respectivamente.
"À medida que os juros vão baixando, essa tendência foi se definindo. As pessoas precisam se mexer em busca de rentabilidade, já que a renda fixa fica menos atrativa", afirma Gabriel Vansolini Soldado, sócio da Fort Investimentos e representante da XP Investimentos em Londrina. Segundo ele, já ficou para trás o tempo em que os produtos atrelados ao CDI rendiam 1% ao mês e deixavam os investidores satisfeitos. "Para manter a rentabilidade, necessariamente agora é preciso correr mais riscos."

Atração
Guilherme Vicente, sócio da Real Investor, de Londrina, calcula que o mesmo CDB que pagava 100% da taxa DI tem hoje uma rentabilidade 0,8%, contra 1% de meses atrás. E, se a Selic chegar a 8% ao final do ano, essa rentabilidade baixa para 0,65%, desincentivando ainda mais a renda fixa. "Prometem uma rentabilidade melhor, os fundos conseguiram atrair os investidores no primeiro semestre", alega.
Questionado sobre o porquê do investidor trocar um produto de renda fixa por um fundo de renda fixa, ele responde que parte da explicação está relacionada à estratégia dos bancos. O CDB, conforme explica Vicente, nada mais é que o lastro para os bancos emprestarem dinheiro. Como a economia está desaquecida e não há muita procura por crédito pelas grandes empresas, os bancos optam por incentivar seus clientes a investirem em fundos. "Quando a economia reaquecer, vai ter um movimento contrário. O banco vai querer vender CDB em vez de fundo de renda fixa."
Para Soldado, os clientes devem ter cuidado na hora de trocar seus ativos no banco. De acordo com ele, a maioria dos fundos dos bancos cobram 4% de taxa de administração dos fundos de renda fixa. "Pode não ser necessariamente bom (trocar um CDB por um fundo de renda fixa)." "Não faz sentido, por exemplo, investir em um fundo de renda fixa referenciado na taxa DI com uma taxa de administração alta", diz ele. Em vez disso, pode ser melhor aplicar no Tesouro Selic.

RENTABILIDADE
Em relação aos retornos para os investidores, segundo a Anbima, os fundos de ações se destacaram no período: os principais tipos superaram a variação do Ibovespa (4,4%), índice utilizado como referência para a categoria. A média de rentabilidade dos fundos small caps (que reúne ativos de empresas com volumes menores de negociação) foi de 15,8%, por exemplo, enquanto o tipo ações livres registrou ganho de 9,1%. Entre os multimercados, a alta foi de 5,8% no tipo macro.
Na renda fixa, os fundos superaram o rendimento da poupança (3,5%) no semestre: o retorno foi de 5,8% para o "renda fixa duração média grau de investimento" e o "renda fixa baixa grau de investimento". De acordo com a entidade, os fundos com ativos de duração mais longa foram impactados pela divulgação da delação da JBS, em maio, e fecharam o semestre com rendimentos menores: 4,6% para o "renda fixa duração alta grau de investimento", por exemplo.


