Captação de recursos pelo BNDES despenca 15,7% no Paraná
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terça-feira, 26 de janeiro de 2016
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
Empresas paranaenses de todos os setores e portes captaram menos recursos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em 2015, segundo boletim divulgado ontem pela entidade. Para o Paraná, foram liberados R$ 12,8 bilhões no ano passado, queda de 15,7% em comparativo aos R$ 15,2 bilhões do período anterior. Em contrapartida, o volume percentual captado pelo Estado frente ao total do País aumentou: o salto na participação saiu de 8,1% para 9,5%.
Ao todo, o BNDES desembolsou R$ 136 bilhões para projetos de investimento em 2015 no Brasil. Na comparação com 2014, houve recuo de 28% nos desembolsos, quando o valor fechou em R$ 187,8 bilhões. Todos os setores apresentaram recuo na liberação de crédito. O setor de Infraestrutura foi o que registrou maior participação, com R$ 54,9 bilhões e queda de 20%, seguido dos setores da indústria, R$ 36,9 bilhões (-26%), comércio e serviços (-41%), R$ 30,4 bilhões, e agropecuária, com R$ 13,7 bi (-18%). Quando a análise é feita por regiões, o Sudeste foi o principal captador de recursos, com R$ 59 bilhões (-33%). O Sul fechou na segunda posição, com valor de R$ 28,9 bilhões (-24%) e, na terceira posição, o Nordeste, com R$ 22,5 bilhões (-8%).
De acordo com o boletim divulgado pela entidade, o "desempenho acompanha a desaceleração da demanda por novos investimentos e foi influenciado pela política de ajuste fiscal implementada pelo governo federal, o que implicou em duas mudanças: condições mais restritivas nos programas equalizados e fim da política de empréstimos do Tesouro Nacional ao BNDES". Para atender de forma mais eficiente, a instituição explica que priorizou alguns setores, ajustando sua política operacional e "preservando maiores níveis de participação, taxas menores e prazos mais longos para setores e temas prioritários". Assim, segundo o relatório, o resultado é que "mesmo diante do cenário de retração, o Banco manteve níveis consistentes de apoio em áreas importantes".
Tipos de empresas
Quando fatiada a participação dos tipos de empresas paranaenses em relação aos recursos, nota-se que houve um aumento de captação pelas empresas e indústrias de grande porte salto de 41,3% para 52,8% - e recuo para as micro, pequenas e médias (veja o gráfico). "Tivemos alguns investimentos fortes de setores como a agroindústria através do cooperativismo e empresas de extrativismo. Em contrapartida, as pequenas e médias empresas buscam estes recursos de forma indireta, ou seja, através de bancos privados, que de forma geral ficaram mais restritivos e rigorosos nos processos de análise. Soma-se a isso o índice de confiança dos empresários, que caiu drasticamente", salienta o gerente de economia, desenvolvimento e fomento da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Marcelo Percicotti.
Ele ressalta também a queda nas consultas pelo crédito em torno de 47% - ou seja, uma retração substancial na procura pelos recursos. "A empresa não procurou ou já abortou no pré-enquadramento para liberação dos valores. Vale dizer que tivemos uma restrição grande para o PSI, linha voltada para caminhões, ônibus, máquinas e equipamentos, o que afetou diretamente a indústria. O desaquecimento da economia e a restrição de acesso ao crédito prejudicaram principalmente as empresas de menor porte".



