Captação de dinheiro no exterior não detém escalada do dólar
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sábado, 25 de janeiro de 2003
Agência Folha 
São Paulo Nem o acordo do PMDB ou o anúncio de mais US$ 604 milhões em captações externas livrou o dólar de sua sexta alta consecutiva, até agora uma escalada ininterrupta desde a descoberta de ogivas químicas vazias no Iraque, na noite de quinta-feira da semana passada. O dólar saltou 2,83% no dia, registrando não só a maior alta do ano como também a maior cotação desde os R$ 3,74 de 13 de dezembro.
O dólar fechou a R$ 3,63 para venda e R$ 3,62 para compra, com máxima de R$ 3,644 no dia, e reverteu o recuo acumulado no ano para uma alta de 2,4%. ''O cenário internacional está atrapalhando. Com medo de guerra, muita gente que estava com posição favorável ao otimismo está ''zerando'', e aí o dólar passa a subir e alimentar um círculo vicioso'', afirmou Marco Antonio Azevedo, gerente de câmbio do Banco Brascan.
Isso significa que a ordem, nos últimos dias e também nos próximos, é manter a cautela e evitar o risco, trocando ativos voláteis por investimentos garantidos. Para o investidor brasileiro, é comprar dólares e vender ações e para o investidor estrangeiro, vender títulos de países emergentes, como o Brasil.
O cenário de extrema cautela ofuscou o fechamento do acordo do PMDB para lançar a candidatura de José Sarney para presidir o Senado e apoiar João Paulo Cunha (PT-SP) para presidir a Câmara dos Deputados, o que garantiria maioria ao governo e facilitaria a aprovação de reformas essenciais à recuperação econômica.
Tampouco durou o ânimo com a notícia de que a Telemar captou no exterior US$ 550 milhões ou o anúncio do Unibanco de que emitiu mais US$ 54 milhões em eurobônus de seis meses.
Bovespa - A proximidade do início de uma ataque americano ao Iraque precipitou ontem um movimento de fuga dos investidores estrangeiros do mercado brasileiro de ações, provocando a maior queda do ano na Bovespa. O Ibovespa, índice que reúne as 56 ações mais negociadas, fechou em baixa de 3,39%, aos 10.783 pontos. É a primeira vez em 2003 que finaliza abaixo do patamar de 11.000 pontos. Apenas cinco papéis conseguiram escapar do tombo geral. Esta foi a segunda semana negativa da Bolsa.


