Curitiba - A captação líquida da poupança deu um salto entre abril e maio no País, mesmo com as novas regras que foram criadas para este tipo de investimento. De acordo com dados do Banco Central, de 1º a 14 de maio, a captação da poupança atingiu R$ 2,662 bilhões no País e superou o mês inteiro de abril quando foi registrado um volume de 1,542 bilhão. Em março, o volume tinha sido de R$ 2,527 bilhões.
Para os especialistas ouvidos pela Folha, o aumento da procura pela poupança ocorreu por dois motivos principais. Um deles é que, com a crise europeia, este tipo de investimento acaba sendo considerado como um ''porto seguro''. Além disso, a presença maior de pessoas na poupança mostra uma certa insatisfação dos investidores com os fundos de renda fixa.
O gerente geral da Agência Londrina do Banco do Brasil, Elisberto Torrecilha, disse que os números do Banco Central mostram que as pessoas continuam acreditando na poupança, mesmo depois do rendimento estar atrelhado ao ''gatilho'' da Selic (taxa básica de juros da economia). ''Quando tem uma crise, as pessoas procuram a poupança e isso seria reflexo da crise europeia'', afirmou. Também contribuiu para esta migração a queda da bolsa. ''Quando acontece uma alta volatilidade da bolsa, os pequenos aplicadores de ações migram para a poupança'', disse.
Torrecilha acredita que a tendência é que ocorra um crescimento de recursos aplicados na poupança, ao menos, até a segunda quinzena de junho. ''O investidor conservador não sai da poupança de jeito nenhum'', afirmou. Segundo o gerente, não é necessário os clientes irem ao banco para assinarem um novo contrato de poupança depois do início das novas regras, nem abrirem uma nova conta. De acordo com ele, isso tem sido uma pergunta muito recorrente nas agências.
O economista chefe da consultoria Inva Capital, Lucas Dezordi, ressaltou que o aumento da captação da poupança é um fator positivo também para o financiamento do setor imobiliário que utiliza estes recursos para a venda de imóveis.
Ele observou que a poupança ''não é uma alternativa ruim'' no cenário atual e prevê que o fluxo positivo de recursos para este tipo de investimento continue, ao menos, pelos próximos três a seis meses. Segundo ele, os investidores de fundos estão insatisfeitos com a rentabilidade e com as altas taxas de administração cobradas que, em alguns casos, chegam a até 4,5% ao ano sobre o patrimônio líquido do cliente.
De acordo com Dezordi, historicamente a poupança pagava 67% da Selic e tinha como remuneração 0,5% mais a TR. Agora, quando a Selic for igual ou menor do que 8,5%, a poupança será remunerada por 70% da Selic mais TR. ''O governo está garantindo ao menos 70%'', disse.

Imagem ilustrativa da imagem Captação da poupança salta com novas regras



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