Captação da poupança em nove meses quase iguala total de 2012
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sexta-feira, 04 de outubro de 2013
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
O saldo entre depósitos e saques na caderneta de poupança atingiu R$ 48,948 bilhões entre janeiro a setembro deste ano, quase o mesmo que os R$ 49,720 bilhões dos 12 meses de 2012. Na comparação com os R$ 33,186 bilhões dos nove primeiros meses do ano passado, o crescimento foi de 47,4%, segundo o Banco Central (BC). O economista Azenil Staviski explica que o valor é importante porque permite o uso em crédito para investimentos no País.
O BC informou ainda que o saldo da poupança em 2013 até o momento, com rendimentos, está em R$ 566,883 bilhões. Staviski projeta que o valor chegue a R$ 760 bilhões, caso mantenha o ritmo dos primeiros meses, o que representará 16% do Produto Interno Bruto (PIB) do País. Ele, que é chefe do departamento de economia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), fez um levantamento da variação percentual desde 1990. O pior nível na relação foi de 12,05% em 1999 e o melhor, de 21,23% em 1994. No ano passado, havia sido de 14,77%.
Para ele, a recuperação é um bom sinal. "Quando o Brasil tem uma taxa alta de aplicações na poupança, possibilita que se faça investimentos a um custo menor. Países desenvolvidos costumam ter altas taxas, como o Japão, que já chegou a ter 33%", diz Staviski.
Sobre as causas para o aumento, o economista cita o reajuste da taxa básica de juros, a Selic, e a queda de confiança na economia. Após chegar a 7% em 2012, a poupança chegou a render
menos do que a inflação e desestimulou a aplicação em bancos. Com o retorno da Selic a 9% no mês passado, o quadro virou. A nova poupança chegou ao patamar das aplicações abertas antes de maio de 2012, que dá 6,17% ao ano mais taxa referencial. "Neste ano, deve ser de 6,32%, o que deve superar a inflação e outras aplicações", diz Staviski.
Ele lembra ainda que há uma onda de expectativas negativas que rondam a economia, o que faz com o consumidor poupe. Mesmo assim, ele não teme queda no comércio. "Toda renda que a pessoa não gasta hoje é porque pretende gastar amanhã."


