A captação da caderneta de poupança registrou recorde em 2013 no País, ao fechar com R$ 71,047 bilhões a mais em depósitos do que em saques. O valor supera em 42,9% os R$ 49,719 bilhões registrados em 2012, considerado o pico anterior desde o início da série histórica, em 1995.
Somente em dezembro, a captação foi de R$ 11,201 bilhões, também o maior patamar de todos os tempos. O teto anterior era de R$ 9,451, referente a junho do ano passado. Assim, o saldo final de 2013, que inclui a soma da captação e dos rendimentos creditados anteriormente, bateu em R$ 597,943 bilhões, ante R$ 496,302 bilhões no fim de 2012.
Apesar de ver como positivo o crescimento em todos os índices, o chefe do departamento de economia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Azenil Staviski, afirma que é preocupante o fato de a participação das aplicações em poupança ter caído em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Ele diz que a proporção, que já chegou a 17%, deve fechar 2013 em 13%, conforme a expectativa de crescimento entre 2% e 2,5% para o ano. "O reflexo é que a taxa de investimentos do País diminui, ainda mais em um momento em que os juros estão mais altos e o custo do capital ficou mais caro", explica.
O economista acredita que o aumento da renda nos últimos anos elevou a captação da poupança, com a possibilidade de o clima de incerteza que ronda a economia do País também ter influenciado um pouco na escolha da forma de aplicação. "As pessoas podem fugir do investimento que requer prazo maior para resgate, para escapar da tributação. Na poupança, eles sabem que o rendimento é menor, mas que a liquidez é maior", diz, ao lembrar que a maioria dos que aderem às cadernetas são de baixa renda.
Ainda, ele afirma que a redução percentual frente o PIB se deve ao fato de a produção ter crescido pouco e, principalmente, por ser baseada em consumo interno. "A solução seria a economia crescer mais, mas o problema é que é preciso investir para crescer. E, para investir, é preciso poupança", conta Staviski.

Na Caixa
Com 35,2% de participação no mercado nacional de poupanças, a Caixa Econômica Federal também atingiu a maior captação da história em 2013, com R$ 22,3 bilhões no País. O saldo final ficou em
R$ 208 bilhões no Brasil e em R$ 15,7 bilhões no Paraná.
O superintendente da regional Norte do Estado da Caixa, Olídes Millezi Junior, afirma que a captação líquida ficou em R$ 255 milhões nas cidades da divisão administrativa. Para 2014, ele diz que a expectativa é de aumentar o montante em 28% em todo o País e no Estado.
Millezi Junior explica que hoje são 52 milhões de contas ativas na Caixa, das quais 1,4 milhão de pessoas de 15 anos e 5,7 milhões de mais de 65. A maior concentração fica na faixa entre 25 a 45 anos, com 43% do total. Nos últimos três anos houve aumento de 41% na quantidade de poupadores de classe média na instituição, com incremento de 54% no número de novos poupadores, que são os que abriram conta há no máximo 12 meses. (Colaborou Victor Lopes)

Imagem ilustrativa da imagem Captação da poupança de R$ 71 bi é a maior da história



Enquete: Você pretende poupar dinheiro neste ano?

- Remuneração cresce 49% em 12 meses

mockup