Captação da poupança bate recorde em outubro
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domingo, 11 de novembro de 2012
Nelson Bortolin <br> Reportagem Local 
Os depósitos em caderneta de poupança superaram os saques em R$ 3,241 bilhões no Brasil no mês passado, informou o Banco Central (BC). Foi a maior captação líquida para meses de outubro da série histórica do BC, iniciada em 1995. Em outubro do ano passado, a captação líquida ficou em R$ 1,073 bilhão.
No mês passado, os depósitos somaram R$ 110,132 bilhões e as retiradas, R$ 106,890 bilhões. Os rendimentos creditados chegaram a R$ 2,160 bilhões e o saldo total ficou em R$ 478,664 bilhões.
O relatório do BC baseia-se em dados do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) - que destina 65% dos recursos para o financiamento imobiliário - e da poupança rural. No caso do SBPE, houve captação líquida de R$ 2,185 bilhões, em outubro. A poupança rural apresentou depósitos maiores que os saques em R$ 1,056 bilhão.
Em maio deste ano, o governo criou nova regra para a remuneração de poupança. Sempre que a taxa básica de juros, a Selic, for igual ou menor que 8,5% ao ano, a forma de remuneração passa a ser 70% da Selic mais a taxa referencial (TR), calculada todos os dias pelo BC. Com isso, o rendimento caiu de 6,17% ao ano mais TR para 5,08% ao ano mais TR.
O gerente regional da Caixa Econômica, José Carlos Rodrigues, diz que a captação da poupança pelo banco no Paraná cresceu 39% neste ano. E que mesmo com a queda de rendimento ela continua atraente. ''Sobre a poupança não se paga imposto de renda e a liquidez é diária'', justifica.
Segundo o gerente, desde maio deste ano, os correspondentes bancários estão autorizados a abrirem contas de poupança. ''Mais de 700 mil contas foram abertas pelos brasileiros desde então nesses correspondentes'', conta. De acordo com ele, o banco detém 37% de participação no mercado brasileiro de caderneta de poupança.
Rodrigues acredita que a nova classe média também vem ajudando a impulsionar a poupança no País. ''Muita gente gente da classe C já comprou sua casa, seu carro e agora passa a guardar um pouco de dinheiro'', declara.
O professor do Departamento de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Marcelo Curado, discorda. Para ele a nova classe média tem ainda muita demanda reprimida por consumo e não está fazendo poupança. ''O que está acontecendo é que, com a queda de juros no País, produtos como CDB não são mais tão atraentes e as pessoas estão optando pela segurança da poupança'', alega.
Curado diz que, com a crise mundial, muita gente deixou de aplicar em ações, que passaram a ser um tipo de investimento mais arriscado. ''A poupança está crescendo por conta de uma migração de recursos que antes eram investidos em outras linhas'', declara. (Com Agência Brasil)


