Caprinos e ovinos também buscam consumidores
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quinta-feira, 09 de abril de 2009
Renato Oliveira<br> Reportagem Local 
Em meio às campanhas de estímulo ao consumo da carne, os produtores de caprinos e ovinos também querem popularizar o produto como forma de garantir mercado e mais renda. O octogenário fazendeiro Walfrido Meirelles Leal, considera a introdução do hábito de consumo como o principal desafio dos produtores.
Para isso, Leal garante que os criadores estão ampliando a produção de raças ovinas destinadas ao mercado da carne em detrimento à extração da lã. A espécie Dorper - oriunda do sul da África onde há um rebanho de 10 milhões de cabeças - oferece melhor relação custo/qualidade desta fonte de proteínas tanto para o criador quanto o consumidor. ''Estamos avançando com sucesso porque não existe um restaurante de padrão médio, desde os rodízios até a alta culinária, que não ofereça o carneiro'', exemplifica o produtor que mantém há 32 anos um rebanho de 300 animais.
Segundo Valmor Pietsch, presidente da Associação de Criadores de Ovinos e Caprinos do Paraná (Acocop), são abatidas cerca de 13 mil cabeças por ano em todo o Estado. ''Hoje a produção é bem distribuída, mas há até duas décadas atrás Guarapuava concentrou a maior parte'', conta Pietsch. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), havia cerca de 580 mil cabeças em todo território nacional até 2007.
Conforme o criador Edson Duarte Dias, que possui um rebanho de 380 ovelhas, o baixo consumo percapita de 10 quilos/ano é o principal entrave para que este mercado deslanche. ''É muito pouco. E a maioria dessa carne comercializada é importada. Vem do Uruguai e do maior produtor mundial que é a Austrália. Outro detalhe é a produção brasileira que ainda é desorganizada'', avalia.
Outro ponto que elenca como negativo é a falta de uma cadeia produtiva da carne dos cabritos e ovelhas. ''Hoje, há no país frigoríficos de bovinos em abundância, mas são poucos os de ovinos e caprinos. A consequência é que nosso produto não tem preço e comprar do Uruguai acaba sendo mais vantajoso'', elenca.
Dias também acha importante que a existência de uma cadeia se reflete em aumento na qualidade da carne consumida, porque haveria maior fluxo de informações sobre a produção. ''Nos animais mais jovens o gosto das glândulas da gordura encrustada é menor. Nos restaurantes onde servem o carneiro, percebo que a carne tem gosto de velha. Se você focar o abate nos animais jovens, com no máximo um ano, o consumo com certeza vai aumentar porque sua textura é mais tenra'', ensina.


