Há um ano, em 12 de julho de 2007, uma quinta-feira, o centro de Londrina viveu momentos de guerra. A operação ''Capitão Gancho 2'', de combate ao contrabando e descaminho realizada pela Polícia e Receita federais no Camelódromo Central, que fica na Rua Mato Grosso, resultou em protesto, depredações e violência, além de comércio fechado na área central no dia da operação e também no dia seguinte.
Imagens da revolta dos camelôs e os embates dos mesmos com a polícia ganharam o noticiário nacional. O Camelódromo foi fechado e foram apreendidas todas as mercadorias de 305 dos 320 boxes que funcionavam no local. Dos fiscalizados, soomente quatro comprovaram situação regular perante a Receita. O montante das apreensões totalizou R$ 1,5 milhão. Após esgotados os prazos para reclamação, a Receita deu por apreendidos 434.657 itens. Desses, pouco mais de 237 mil são CDs e DVDs gravados e outros 31 mil são mídias (virgens). Também constam da relação peças de vestuário, eletrônicos e brinquedos, produtos de bazar, informática, bebidas, cigarros e 44 caixas de medicamentos.
Na semana seguinte à Capitão Gancho 2, as bancas voltaram a funcionar e, hoje, o movimento é normal. Ainda é possível encontrar produtos pirateados, como CDs e DVDs, além de medicamentos proibidos no Brasil, como o abortivo Cytotec - comprado pela reportagem da FOLHA no Camelódromo em abril de 2008 - e o medicamento contra impotência sexual Pramil - também encontrado pela FOLHA no Camelódromo no último mês de maio.
De acordo com o delegado da Polícia Federal (PF) Kandi Kitanishi, após o término dos trabalhos da Receita Federal, a PF começou a instaurar inquéritos policiais, 212 ao todo. ''No momento, os inquéritos estão sendo concluídos e encaminhados ao Ministério Público Federal (MPF)'', informou o delegado. Caberá ao MPF oferecer ou não denúncia contra os camelôs.
Segundo Kitanishi, os 212 inquéritos representam mais de 90% dos lojistas do Camelódromo. ''A diferença entre o número de boxes fiscalizados e o número de inquéritos policiais se deve ao fato de uma mesma pessoa ser proprietária de várias lojas'', explicou.
A PF está autuando os lojistas pelo crime de contrabando e descaminho, previstos no Artigo 334 do Código Penal. A pena é de um a quatro anos de reclusão. Quem vendia CDs e DVDs piratas será enquadrado no Artigo 184 do Código Penal por violações de direitos autoriais, que tem pena de dois a quatro anos de reclusão. Os donos de bancas onde foram encontrados medicamentos irão responder por venda de produtos farmacêuticos falsificados ou adulterados. A pena, prevista no Artigo 273 do Código Penal é de 10 a 15 anos de reclusão.
''O ponto positivo daquela operação é que a cidade discutiu a questão do contrabando e da pirataria. Se houver a necessidade e a solicitação da Receita Federal, vamos fazer novas operações do tipo'', comentou Kitanishi. Ele não acredita que aconteça prisões de camelôs. ''No fim das contas, as penas devem ser alternativas'', declarou.
A FOLHA entrou em contato com a coordenadora do Ministério Público Federal em Londrina, Cíntia Andrade, mas ela estava em audiência durante toda a tarde de sexta-feira e não retornou às ligações.
A reportagem também procurou a direção do Camelódromo, porém o presidente Rogério Gonsalez está afastado de suas funções porque será candidato a vereador. O vice-presidente, Valfride de Paula, que assumiu a direção interinamente, disse que não está interado o suficiente sobre as consequências da Operação Capitão Gancho 2 para falar sobre o assunto. ''Eu nem trabalho mais dentro do Camelódromo, agora estou no ramo de confecções. Quem poderia falar é o Rogério'', afirmou.

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