Curitiba A Capitania dos Portos do Paraná enviou um ofício à Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA) rejeitando a hipótese de que as bóias defeituosas que forçaram a suspensão do tráfego no Canal da Galheta por 11 horas na última sexta-feira tenham sido danificadas por navios. O superintendente da APPA, Eduardo Requião, sustentava a tese de que as três bóias houvessem sido atingidas por embarcações que tentaram sair do porto em condições de navegabilidade desfavorável, decorrentes do ciclone que atingiu o litoral de Santa Catarina.
O superintendente da APPA enviou na semana passada um ofício à Capitania dos Portos, órgão ligado à Marinha, visando determinar quem teria autorizado a navegação no Canal da Galheta quando o mar ainda estava revolto devido ao ciclone. No ofício de réplica, a Capitania afirmou que não havia indícios concretos de que as bóias tivessem sido abalroadas, e que o mais provável é que elas tenham sido arrastadas e perdido seus equipamentos de iluminação por não terem condições técnicas necessárias para aguentar intempéries semelhantes às causadas pelo ciclone.
A Capitania argumenta que o deslocamento da bóia que baliza a entrada do canal não poderia ser decorrente do corte da amarra que a lastreava, uma vez que os navios não teriam apêndices que pudessem danificar a bóia. O órgão acredita que o deslocamento decorreu de peso insuficiente no lastro para aguentar as correntes submarinas geradas pelo ciclone. Na nota oficial, aponta que a falta de luzes em algumas bóias ocorreu porque os equipamentos estavam instalados em uma altura muito baixa e que teriam sido atingidos por ondas fortes.
A Capitania também criticou a empresa Techimport, contratada pela APPA para solucionar eventuais problemas com as bóias. De acordo com o órgão, a embarcação que deveria ser utilizada pela Techimport para reposicioná-las nem chegou a deixar o cais no dia do bloqueio do canal. Segundo a nota oficial, a própria Capitania dos Portos teve que contratar uma embarcação e solucionar o problema.
A Folha tentou contato com a APPA, mas foi informada que Eduardo Requião não iria se pronunciar sobre o assunto. De acordo com a assessoria, não há interesse em polemizar sobre o assunto, e o serviço no Canal da Galheta foi retomado sem que prejuízos fossem causados aos operadores portuários.

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