'Capitalização só com contribuição do trabalhador não para em pé', diz relator
Para relator da reforma da Previdência, é necessário que o empregador também pague para a aposentadoria do funcionário
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 10 de maio de 2019
Para relator da reforma da Previdência, é necessário que o empregador também pague para a aposentadoria do funcionário
Thiago Resende / Folhapress 

Brasília - O relator da reforma da Previdência, Samuel Moreira (PSDB-SP), disse, nesta quinta-feira (9), que um regime de aposentadorias de capitalização apenas com recursos depositados pelo trabalhador não é viável.
"Eu acho que há quase que uma unanimidade do ponto de vista que a capitalização só com a contribuição do indivíduo não para em pé". Moreira acredita ser necessário que o empregador também pague para a aposentadoria do trabalhador.
A proposta de reforma da Previdência enviada pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) prevê a possibilidade de contribuição patronal, mas não há a obrigação para o pagamento desses recursos.
O relator avalia que, somente com a parte do empregado, há risco de o trabalhador não poupar o suficiente para a aposentadoria. "Estamos estudando essa parte", afirmou o relator ao ser questionado se incluiria a obrigatoriedade da parcela do patrão.
No sistema de capitalização, cada trabalhador faz a própria poupança para bancar a aposentadoria. O ministro Paulo Guedes (Economia) defende a troca do atual modelo -o de repartição- pela capitalização.
Pelo regime de repartição, os trabalhadores da ativa contribuem para a Previdência e esses recursos são usados para pagar as aposentadorias de quem já saiu do mercado de trabalho.
Guedes já se posicionou contra a ideia de que o empresário também pague para a aposentadoria do empregado. Em audiências públicas no Congresso, o ministro cita que o Chile teve uma forte geração de empregos quando implementou uma capitalização sem a parcela do empregador.
A oposição, no entanto, critica o caso chileno, argumentando que o regime de capitalização não funcionou nesse modelo no país. Apesar da postura de Guedes, integrantes da equipe econômica defendem que o empregador também tem que contribuir.
Nesta quinta (9), a comissão especial da reforma da Previdência se reuniu novamente para debater o tema com especialistas contrários e favoráveis à proposta.


