Capital privado é saída para energia
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de junho de 1997
Cláudia Schuffner Agência Estado Rio de Janeiro 
O setor elétrico brasileiro nunca precisou tanto do capital privado como agora, quando o País corre o sério risco de um desabastecimento. Essa foi uma das constatações do estudo encomendado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) feito por dois especialistas na área, os engenheiros elétricos Roberto Pereira dAraújo e Carlos Augusto Amaral Hoffmann, sócios da Organização Não-Governamental Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Elétrico (Ilumina), criada por funcionários de Furnas Centrais Elétricas.
O trabalho foi baseado em uma sondagem com o setor realizada pela CNI, que resultou no livreto O Novo Contexto do Setor Elétrico Brasileiro. No trabalho, os técnicos alertam para o fato de a estimativa de evolução do mercado de energia elétrica demonstrar que no período de 1996 a 2003 será necessário aumentar em 12.200 megawatts (MW) a capacidade de produção de energia no País, que tem capacidade nominal instalada de 57.232 MW.
Isso implica em um acréscimo médio de 1.350 MW de enrgia por ano, que exigirão investimentos anuais da ordem de R$ 2 bilhões, equivalentes à inauguração, por ano, de duas usinas do porte de Serra da Mesa (GO), em construção. Diante dessa demanda, os especialistas são enfáticos ao afirmar que é crucial a participação do setor privado nos novos empreendimentos.
Alerta Entretanto, eles alertam para a importância de manter o atual sistema integrado de distribuição, que adiciona 22% de energia ao sistema funcionando como uma usina virtual com capacidade para gerar 5.199 MW sem a necessidade de qualquer investimento. Esse porcentual é trazido apenas pela eficiência do sistema interligado de distribuição, destaca o assessor técnico da CNI que coordenou o estudo, Alexandre DAvignon.
A preocupação dos autores com relação à desregulamentação do setor elétrico, que ainda está em fase de elaboração pelo governo, diz respeito às características sinérgicas do sistema atual - que interliga as usinas do Sul/Sudeste e Centro-Oeste - que, na opinião deles, precisam ser preservadas.


