Rio DE Janeiro - O total de aquisições e fusões realizadas no Brasil durante os 10 primeiros meses do ano foi de 304 negócios, de acordo com relatório divulgado pela consultora internacional PricewaterhouseCoopers. O número supera em 10% as transações realizadas em 2003 e sinaliza crescimento para este ano em comparação aos 336 negócios fechados no exercício anterior.
O coordenador da área de ''corporate finance'' da Price, Raul Beer, disse ontem que a previsão para este ano é de aumento de 15% a 20% no volume de aquisições e fusões. Beer explicou que se forem replicados nos meses de novembro e dezembro os 28 negócios realizados em outubro, o número de transações chegará a 360. O executivo acredita, inclusive, que pode ser até mais do que isso. ''O mercado brasileiro está bastante aquecido e não existe nenhum motivo para que haja um retrocesso'', analisou.
A quantidade de aquisições de controle (161) entre janeiro e outubro no País, foi 7% maior que a do mesmo período de 2003. Beer disse que a retomada das fusões e aquisições mostra o dinamismo da economia nacional, o que não se registrou no ano passado nem em 2002. Segundo afirmou, as operações evidenciam decisão de investimento de longo prazo no país. Não se trata de mercado de Bolsa nem mercado de dívida de curtíssimo prazo, garantiu.
A pesquisa, observa Beer, também mostra o retorno do interesse do capital estrangeiro em investir no Brasil, após as incertezas existentes até o ano passado. As estatísticas revelam que o investidor estrangeiro ''de fato perdeu o medo e está olhando para o Brasil como parte do mapa financeiro do mundo'', afirmou Beer.
A participação estrangeira nas aquisições de controle nos primeiros 10 meses do ano foi de 43% do total, somando 69 transações, o que representa elevação de 38% sobre os negócios desse tipo efetuados em igual período de 2003. Esse resultado inverte a tendência de queda observada desde 1999, voltando ao patamar registrado em 2001, que foi de 44%. Na avaliação de Beer a participação do capital estrangeiro deve continuar crescendo, mas não conseguirá atingir o patamar de 1999, quando detinha 70% do total.
O documento da PricewaterhouseCoopers revela ainda que os estrangeiros permanecem se destacando nas joint ventures feitas no Brasil. O termo define a associação de empresas para o desenvolvimento e execução de um projeto específico no âmbito econômico e/ou financeiro. De janeiro a outubro foram fechados 70 negócios desse tipo, correspondendo a um incremento de 63% contra as 43 transações efetuadas em 2003.
Na comparação dos 12 meses encerrados em outubro com igual período de 2003, o número de negócios realizados foi de 365, mostrando crescimento de 13%. No acumulado do ano, o número de transações é liderado pelo setor químico. Empresas farmacêuticas e da área de higiene e limpeza foram os destaques nos primeiros 10 meses do ano.

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