O ritmo frenético do mundo atual está levando à transformação nas relações entre capital e trabalho. Cada vez mais o indivíduo é reconhecido por seu talento e menos valorizado pelos conhecimentos teóricos que possui. Esse foi um dos temas abordados pela consultora de empresas para o desenvolvimento de talento humanos Rosa Krausz, que esteve em Londrina participando do IV Congresso Norte Paranaense de Recursos Humanos (Conoparh 2002).
  No evento, a consultora, que também é diretora da empresa paulista Intelectus, abordou essa questão e a relação dos capitais humano, social, intelectual e organizacional no mercado de trabalho.
  Segundo Rosa Krausz, o recursos humanos das empresas precisam trabalhar em cima de questões que formam um tripé: otimizar o uso do capital humano, ampliar a rede de relacionamentos e trabalhar o capital organizacional da entidade. Ela afirma que hoje ‘‘exige-se o máximo dos funcionários mas se oferece muito pouco em troca. Os funcionários estão sempre ameaçados’’.
  O primeiro tripé de que fala Rosa Krausz engloba o conjunto de capacidades, habilidades e talentos que a pessoa acumula. Ela denomina esse conjunto de competências duráveis que, ao contrários das competências técnicas, estariam sendo mais importantes no mercado de trabalho atual.
  ‘‘Da educação formal que você recebe, 80% está obsoleto depois de cinco anos’’, justifica a consultora.
  Ela dá uma dica para quem quer ingressar e permanecer no mercado, ‘‘Tem que aproveitar todas as oportunidades existentes, oferecidas ou não pelas empresas, para aumentar o seu capital humano’’. Rosa declara que as empresas ainda não absorveram essas mudanças. ‘‘Elas contratam e despedem como se o capital humano fosse comodities, mas não é. Por isso elas têm dificuldades de atrair talentos’’.
  Formando o segundo tripé, está a importância da rede de relacionamentos que as pessoas estabelecem dentro das empresas. ‘‘Na medida em que eu tenho uma rede de relacionamentos diversificada eu não só tenho mais recursos disponíveis como também aprendo com as diferenças. Isso é fundamental dentro de uma empresa mas ainda é uma parte desconhecida dentro dela’’, aponta. Segundo ela, é preciso transformar as empresas em comunidades de trabalho, ‘‘as estruturas rígidas impedem o crescimento da organização’’.
  O último tripé é o capital organizacional que é de competência da própria empresa, ‘‘são as normas, regras, costumes, tradição, valores, clima e outras características da organização’’, explica a consultora. Ela declara que não basta cuidar das pessoas e do relacionamento, mas é preciso cuidar também da maneira como a empresa é. Rosa complementa que essa última trave do tripé ‘‘é também a capacidade que a empresa possui de incorporar conhecimento, que é um patrimônio da empresa’’. Trabalhar em cima desses três tópicos ‘‘é a missão da área de recursos humanos para os próximos anos’’, conclui Rosa Krausz.

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