'Capital do boné' volta a exportar
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de maio de 1999
Pedro Livoratti 
A desvalorização cambial está incentivando fabricantes de bonés de Apucarana a direcionar parte de sua produção para o mercado externo. As maiores indústrias, reunidas em uma associação, estão promovendo programas de qualidade com previsão de certificação para outubro deste ano. A perspectiva dos empresários é aumentar a participação do produto nacional no Mercosul, Europa e Estados Unidos, fazendo frente com bonés produzidos nos países asiáticos.
Estamos exportando, mas ainda timidamente, resume o presidente da Associação dos Fabricantes de Bonés de Qualidade, José Begali Neto. A entidade existe há um ano e congrega as maiores empresas de Apucarana. Proprietário da Bonelli Bonés, Begali informa que antes da mudança cambial, em janeiro deste ano, as exportações estavam inviáveis. Com a nova realidade, as empresas passaram a vislumbrar o mercado externo. Mesmo com a pequena participação no exterior, produtos de Apucarana voltaram a ser comercializados em magazines da Europa e Ásia.
A cidade, conhecida como a capital do boné, tem cerca de 20 grandes empresas do setor, além de indústrias informais que produzem cerca de 3 milhões de peças/mês. Cerca de três mil trabalhadores atuam nas indústrias do setor. Begali informa que o esforço agora é para aumentar a competitividade das empresas, para que possam concorrer em pé de igualdade no mercado externo, onde qualidade e preço são variáveis fundamentais.
A Bonelli, por exemplo, direcionou 5% da produção nestes primeiros quatro meses para o mercado externo. A expectativa do empresário é chegar a 10% ainda este ano. Outro empresário que está exportando, Eurípedes Matias, da Showa Bonés, diz que o momento é favorável para a comercialização do produto no mercado externo, embora as vendas ainda estejam pequenas.
O empresário, que tem exportado para o Japão e Europa, afirma que os maiores concorrentes são a China e a Coréia. Há 15 anos no setor, o empresário garante que as empresas locais dispõem de know How suficiente para fazer frente à concorrência no mercado externo.
A mudança cambial também está incentivando o empresário Wilson Yoshida, da Kriswill, a investir na busca da exportação. A empresa também está em processo de certificação de qualidade. A expectativa de Yoshida é de que as vendas ao exterior comecem já no segundo semestre. Amostras dos produtos já foram enviadas para potenciais clientes. Estamos sentindo um aquecimento lento, mas estou bastante otimista para o próximo semestre, afirma. A estratégia é iniciar as exportações através dos países do Mercosul.


