Capital de Giro (Ruth Meira)
Capital de Giro (Ruth Meira)
Arquivo FolhaDinheiro que entra no País para aproveitar o juro alto bate em retirada a qualquer sinal de prejuízo. O da produção, nãoDÓLARES QUE FICAM
A crise econômica mundial secou as torneiras do crédito, encareceu o dinheiro, deu uma ducha gelada nos investidores que tinham projetos engatilhados no Brasil. Mas nem tudo é negativo, mesmo nesse cenário de incertezas. Em pleno setembro negro, o grupo norte-americano Monsanto anunciou que vai abrir uma fábrica na Bahia, aplicando US$ 550 milhões. A Cargill também tem intenção de destinar US$ 204 milhões para uma unidade em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. O McDonalds faz as contas, acha que vai muito bem no Brasil e não arreda pé de esticar a rede de franquias e ampliar em 90% o número de funcionários no prazo de três anos. São exemplos pequenos de que a letargia não vai ser a única palavra de ordem nesse futuro próximo.
APOSTA NO FUTURO
Segundo levantamento do Ministério da Indústria, Comércio e Turismo, feito no final do ano passado, existem em andamento hoje no País 942 projetos de ampliação e implantação de indústrias. De todos os portes. Até o ano 2000, equivalem a R$ 124 bilhões. O melhor da história é que a maior parte dessas intenções de investimentos não deve recuar nem mesmo com o choque financeiro internacional - ao contrário do capital especulativo, que corre para debaixo do colchão ao primeiro sinal de prejuízo. Projetos de investimento na produção têm perspectiva de longo prazo e, no caso do Brasil, contemplam um País novo, com renda per capita reforçada e um mercado consumidor de primeiro mundo. Quem põe dinheiro no Brasil hoje, aposta nesse cenário.
DE PONTA A PONTA
Enquanto o Sul comemora o pólo automobilístico nascente, com a chegada da Renault, Audi-VW e Chrysler no Paraná, e ainda Ford, GM e Navistar, no Rio Grande do Sul, o Nordeste festeja a implantação de uma indústria calçadista promissora. As áreas de infra-estrutura prometem ser as estrelas de primeira grandeza nas próximas décadas. Telecomunicações, energia, transporte. Em matéria de bits e bytes, a rota parece ser única: a do desenvolvimento. Com 7 milhões de computadores em uso, o setor cresce no Brasil à média de 32% ao ano. Um caminho sem volta, rico em oportunidades. É verdade que o stress das bolsas, a debandada do capital-turista e o tranco dos juros tiram muito do fôlego da economia. Mas a história mostra que a parte sadia da economia - a que está ligada à produção, propriamente - sempre junta os cacos e segue em frente.
MINA DE OURO
O turismo é outra frente de ouro. Primeiro, porque tem todas as condições de disparar o processo de desenvolvimento de extremo a extremo do País. E principalmente porque este setor é, já hoje, o maior empregador do planeta. Em todo o mundo, de cada nove empregos, um está ligado ao turismo. A consultoria Bain & Company faz uma projeção: o emprego em atividades de entretenimento deve crescer 70% na próxima década. Pelos cálculos da Organização Mundial do Turismo (OMT), até 2020 o turismo deverá movimentar no planeta US$ 2 trilhões ao ano. Mas o Brasil tem uma fatia minúscula desse grande mercado. A exemplo do que acontece com o comércio exterior, temos aí um novo déficit. A cada ano, 4 milhões de brasileiros voam para outros países, enquanto o Brasil - com os seus 8 mil quilômetros de litoral, mais a selva amazônica e o rico turismo ecológico - recebe apenas 2,5 milhões de estrangeiros. Dez mil hotéis, de ponta a ponta do País, empregam 180 mil pessoas diretamente e outras 540 mil indiretamente. Detalhe: com ocupação média de 60%. É só ganhar alguns pontos nesse índice para o País multiplicar, rapidamente, postos de trabalho. O grande desafio dos próximos anos.
O PRIMEIRO TESTE
Arquivo FolhaVenda vai balizar estoque de NatalPara o comércio de brinquedos, o Dia das Crianças mais que nunca vai servir este ano como uma prévia do movimento do Natal. Até dezembro, muita coisa pode mudar no quadro econômico, principalmente depois das eleições. As chances de um pacote-surpresa na ressaca das urnas são maiores a cada dia. Mas os comerciantes estão acreditando que já vai dar, nesse início de outubro, para saber se o consumidor está arredio ou, se vacinado contra furacões econômicos, pretende manter a rotina consumista sem lembrar da taxa de juro e do risco da inadimplência.
O gerente da Ri Happy em Londrina, no Catuaí Shopping Center, Carlos Roberto Ricetti, lembra que no ano passado o consumidor, também abalado pela crise econômica mundial, adiou as compras até a última hora. Quase ao pé da letra. Tivemos a loja lotada nos últimos minutos da véspera do Dia das Crianças. Foi uma surpresa e um sufoco para atender todo mundo. O consumidor pensou mil vezes antes de se decidir a comprar, lembra. Este ano, o lojista já imagina que a cena vai se repetir. O estoque é semelhante ao de 97. Ricetti diz que se o movimento empatar com o do ano passado, já fica satisfeito. O resultado vai balizar a preparação de estoque da loja para o Natal, afirma. Nesse momento de tanta incerteza, a gente tem que se basear em alguma coisa concreta. Mas é sempre um tiro no escuro.





