Capital de Giro (Ruth Meira)


LEÃO ON LINE
A Receita Federal promete começar a restituir o Imposto de Renda no dia 15 do mês que vem. O primeiro lote, de uma série de sete, deverá incluir um milhão de contribuintes. O que contemplaria todos os que optaram pela declaração on line - pela Internet. Foram quase 2 milhões em todo o País segundo o balanço preliminar da Receita, mas como uma grande parte não tem imposto a receber, e sim a pagar, a primeira leva de devoluções deverá premiar todos os contribuintes high-tech.
O Brasil pode tornar-se, este ano, o País com o maior número de declarações pela rede mundial de computadores. Um recorde que surpreende o próprio secretário da Receita Federal, Everardo Maciel. Londrina não só acompanha a tendência nacional como deve ultrapassar a taxa brasileira, em torno de 20%. A delegada em Londrina, Maria Aparecida Gerolamo, espera fechar o balanço de 98 com 25% de declarações via Internet. No ano passado, foram 15%.
Em 97, foram entregues no Paraná e Santa Catarina (que compreendem a jurisdição da Receita) 104.165 declarações pela Internet e 12.201 através de disquete, de um total de 540 mil. A previsão para este ano, segundo a delegada, é de que tenha crescido a base de contribuintes. A Receita Federal espera receber aproximadamente 700 mil declarações.
Tanto para quem tem imposto a receber ou a pagar, vale lembrar: a restituição como as cotas são corrigidas com base na taxa Selic, que reflete os juros embutidos nos títulos bancários trocados entre bancos. Para a correção, a taxa é acumulada a partir de maio e acrescida de 1% do mês de pagamento. Como a taxa Selic supera o rendimento das aplicações financeiras, a melhor alternativa para quem deve ao Leão é quitar as cotas à vista, em vez de manter o dinheiro aplicado e pagar em parcelas.A INDÚSTRIA DO CALOTE
Até a inadimplência pode dar lucro. Empresas que executam serviços de teleconsulta de cheques e crediário anunciam saltos de faturamento nos últimos quatro anos, desde a implantação do Plano Real. Os recordes sucessivos das taxas de inadimplência fazem prosperar a indústria do calote, que presta, para os lojistas, o serviço de discriminar os bons dos maus clientes. A Teledata, que oferece três produtos de consultas de crédito, faturou US$ 50 milhões no ano passado. Um negócio de ouro: vendeu 30 milhões de atendimentos a comerciantes assustados com a avalanche de cheques voadores. A Servloj, que administra 700 mil contratos de crédito para várias cadeias de lojas e instituições financeiras em todo o País, comemora. Expandiu em 150% os seus negócios desde o início do Real. No ano passado, faturou US$ 15 milhões. Há empresas que cobram percentual sobre o valor de venda - entre 2,5% até 7,5%. Há ainda a opção de pacotes fechados que custam, em média, R$ 1,50 por consulta. Modalidades para todo tipo de negócio: dos mais aos menos desconfiados com a freguesia.MERCADO DE ENDIVIDADOS
Novos ‘‘produtos’’ começam a inundar o mercado. As seguradoras descobriram o filão do consumidor ‘pendurado’ e já oferecem coberturas para juros de cheque especial e até mensalidades escolares - se o freguês não conseguir saldar as dívidas em dia, está lá o seguro para garantir o pagamento. Um grande banco está oferecendo ao mercado o novo seguro de proteção financeira. O produto custa R$ 2,50 ao mês e oferece apoio financeiro em caso de desemprego, morte ou incapacidade temporária no exercício profissional do titular da apólice. Há seguros que garantem a cobertura de débitos da conta corrente para o desempregado. As escolas - grandes vítimas do Real em matéria de inadimplência - também estão na mira das seguradoras. Uma delas criou o Vida Escolar, um seguro de vida que inclui uma espécie de garantia em caso de desemprego. O seguro paga até três mensalidades do colégio no caso de perda de renda do segurado. O produto está saindo do forno, de olho em um mercado que, ao que tudo indica, vai crescer.COMÉRCIO DE FACILIDADES
Cresce também a turma do ‘‘quanto pior, melhor’’. Não se queixam nem um pouco da retração econômica e da crise de inadimplência as empresas especializadas em vender a ‘‘reabilitação de crédito’’ ao inadimplente. São pagas para limpar o nome dos devedores, um universo de consumidores considerável hoje no Brasil. Mas a conta da operação salvamento pode ficar cara - às vezes, equivale a 20% do valor da dívida. Os inadimplentes devem se precaver quanto a esse tipo de serviço. Em muitos casos, é simples dar baixa no SCPC ou Telecheques e é possível fazer isso por conta própria, sem engrossar ainda mais a já extensa lista de débitos.
‘‘Mercado é onde a parte mais esperta ganha da menos esperta e onde todos são espertos’’
Gustavo Franco, presidente do Banco Central

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