Capital de giro (Ruth Meira)
Capital de giro (Ruth Meira)
AS VELHINHAS DAS BOLSAS
Quatorze velhinhas norte-americanas desenvolveram um hábito curioso, agradável e lucrativo: ficam de olho na saída dos consumidores das principais lojas de Illinois e, quando percebem um movimento respeitável de compradores com sacolas, compram ações da empresa através de um clube de investimentos. Elas são as Senhoras de Berdstown, a sensação do momento do mercado de capitais. Usamos o senso comum para escolher onde investir, diz Betty Sinnock, de 64 anos, que veio ao Brasil com a sócia Ann Brewer, 62 anos, para uma nova investida do grupo: o lançamento do Guia Prático de Investimentos das Beardstown Ladies, na lista dos mais vendidos durante três meses nos EUA. O livro ensina pequenos investidores a ganhar dinheiro no mercado de ações e, de quebra, dá receitas culinárias.
A aventura financeira das velhinhas vem dando certo. O retorno médio anual da carteira de ações do clube de investimentos foi de 23% nos últimos 10 anos, surpreendendo até mesmo experientes analistas de Wall Street. A estratégia é simples: cada uma aplica religiosamente, todo mês, US$ 25 na compra de ações - especialmente as das redes de departamentos. Detalhe: elas mesmas decidem há 14 anos, sem auxílio de experts, em que papéis vão apostar.
O vendaval que varreu os pregões do mundo todo não alterou em nada a pressão arterial das investidoras de Illinois, que têm, juntas, um patrimônio de US$ 340 mil. Com a crise na bolsa de Nova Iorque elas sofreram uma perda de 3% do total da carteira, mas não consideram isso prejuízo. Não perdemos dinheiro porque não sacamos e nem pensamos em resgatar, afirma Betth.REMÉDIO AMARGO
O tranco nos juros castiga a empresa brasileira: as dívidas se multiplicam, as vendas declinam e os níveis de inadimplência escalam degraus. Quanto ao cidadão comum, que não tem papéis milionários, mas está amarrado a dívidas pós-fixadas ou ao crediário, é esfolado pelos mesmos juros que brindam, com generosidade, o capital estrangeiro. Apesar disso, 9 em 10 economistas dão nota alta para o governo. O londrinense Ismael Mologni é um deles: Mexer no câmbio seria desastroso, diz.NO OLHO DO FURACÃO
Grau de risco
Para avaliar o impacto da queda das bolsas, uso a imagem do sábado à beira da piscina. Dia de sol, tem gente dentro da piscina, tem gente na borda lendo jornal ou comendo sanduíche, descalço, e tem gente passeando ao largo, de sandálias de borracha. Cai um raio. Quem estava dentro da piscina morre. Quem estava lendo jornal ou comendo sanduíche sai chamuscado. Quem estava de sandálias de borracha sobrevive quase ileso. Ibrahim Eris, economista
Horror na mesa de câmbio
Há momentos em que a gente não vê luz. Gustavo Franco, presidente do Banco Central, ao assistir, on line, a compra maciça de dólares na terça, 28, o que obrigou o governo a intervir para frear a debandada.
Halloween à brasileira
Na hora da incerteza, o capital sai da posição de risco e vai até para debaixo do colchão, se isso lhe parece o único investimento seguro. Ex-ministro Mailson da Nóbrega, ao comentar a fuga de capital estrangeiro do País, dia 28.
Carrossel das bolsas
Quem fizer previsões para além de 24 horas estará sendo, no mínimo, irresponsável. Daniel Dantas, executivo financeiro





