Capital de giro (Ruth Meira)
E GRÃO EM GRÃO
O desempenho das vendas de cimento este ano confirma que indústria e comércio não devem mais cometer o pecado de desprezar os pequenos. As contas do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento mostram que o consumo nacional será recorde: 38 milhões de toneladas. Pulo de 11,7% sobre o ano passado. E quem responde pela maior parte deste movimento é o chamado consumidor formiguinha - multidões que compram pequenas quantidades. A população de renda fraca constitui a força deste segmento de consumo: 55% das vendas são feitas para a turma do salário baixo. Governos e empresas levam os outros 45% da produção.
A entidade tratou de traçar o perfil do consumidor que compõe esse mercado do picado, confirmando alguns hábitos de consumo como, por exemplo, o de ir às compras na sexta-feira e no sábado. O secretário-executivo do SNIC, João Batista Menescal Fiuza, observa que na época do chamado milagre econômico, na década de 70, o consumo formiguinha correspondia a 35% das vendas de cimento. Depois disso, foi perdendo espaço. Agora, neste momento da economia nacional em que muitos têm pouco dinheiro, a economia de escala se fortalece novamente.
Os dados não são importantes só para quem vende cimento. Este é um dos chamados setores termômetro da atividade econômica. Por aí, dá para se avaliar a performance do nível de produção no País. O consumo per capita brasileiro era de 34,3 quilos em 1950; saltou para 100,1 quilos em 1970; alcançou a casa dos 226,1 quilos na década seguinte e entrou em declínio a partir de 1990, quando caiu para 180,3 quilos. Em 94, nova queda: 164,9 quilos. A reação começou em 1996 - com a venda de 226,1 quilos por habitante. Este ano, o número deve ficar em 252,5 quilos per capita. Ainda é pouco. Só para comparar: nos países desenvolvidos, o consumo médio é de 500 quilos por habitante.
Toda a produção de cimento no Brasil sai de 47 fábricas operadas por 14 grupos industriais. O gigante Votorantim devora 41% do mercado.
Arquivo FolhaAquecimento de 10% da construção civil produziria 45 mil novos empregos no País: mais que setores de agropecuária e alimentosM





