Capital de Giro (Ruth Meira)
CAPITAL DE GIRO
RUTH MEIRA
Arquivo FolhaTarifas livres e chegada de grupos estrangeiros no setor bancário brasileiro até agora não cortaram custos nem melhoraram atendimento
REVOLUÇÃO ADIADA
O hábito de desprezar o extrato bancário, com o seu emaranhado de siglas, códigos e números, hoje custa caro para o correntista. Desde que o governo federal abriu o mercado e liberou inteiramente a cobrança de tarifas, em julho do ano passado, acompanhar os lançamentos de débitos passou a ser medida necessária de economia. Única forma de o usuário saber o quanto custa transferir a uma instituição o direito de administrar o seu dinheiro.PADRÃO NACIONAL
Com a chegada de grupos estrangeiros no sistema financeiro - encabeçada pelo gigante HSBC, que tem a companhia do Stander, e os já estabelecidos no Brasil, Boston e Citibank - esperava-se uma revolução no setor. Tecnologia ultramoderna, preços em queda livre, filas só na lembrança. Até agora, não é o que se vê. As tabelas de tarifas dos bancos se multiplicaram, comparadas às dos tempos do ganho fácil com a inflação, e a qualidade dos serviços não deu nenhum salto espetacular. De moderno mesmo, só o sistema de portas eletrônicas em que o cliente enrosca cada vez que tenta entrar na agência.NOVA FONTE
Usuários mais atentos às correspondências bancárias têm visto seus extratos acusarem cada vez mais e mais taxas administrativas, a preços bem menos módicos do que antes - quando os bancos ofereciam serviços gratuitos e ganhavam, sem freios, com a ciranda da inflação. É um tal de cobrar taxa por depósito de cheque de terceiro sem fundos na conta, consulta de saldo na boca do caixa, emissão de correspondência ao mutuário, e por aí afora. Tabelas que não tinham, a um ano, mais que 60 itens tarifados, agora listam até 150 serviços sujeitos à cobrança.
INVERSÃO
DE SINAL
O mercado livre pariu os pacotes de tarifas - que custam de R$ 3,50 a R$ 25, em média, por mês, dependendo do banco. Invenção para simplificar as cobranças de uma só vez, periodicamente. Aí, então, é que é preciso cuidado. O correntista paga uma espécie de taxa de administração ao banco, além da renovação de cadastro (em torno de R$ 15, anualmente) e ainda todos os serviços que tiver que usar e que não estiverem previstos no pacote. O extrato pode reservar surpresas nos períodos em que o usuário tiver abusado das operações. Surpresa, neste caso, é um discreto sinal negativo precedendo o saldo bancário da vítima. E os juros, quando se usufrui do direito de entrar no limite, não são camaradas. IMPOSTO BANCÁRIO
Segundo as previsões do governo, o mercado livre traria competitividade entre os bancos e conteria a escalada dos preços. A chegada de grupos estrangeiros ao País completaria a tarefa, baixando preços, modernizando as agências, melhorando o atendimento: padrão de primeiro mundo no sistema financeiro brasileiro. Mas não é o que acontece. Depois de perder a polpuda receita inflacionária e patinando para controlar custos administrativos, os bancos se comportam ao estilo do governo. Um cria tarifas, o outro, impostos.DISPERSÃO
A boa notícia é que as diferenças entre as tabelas dos bancos têm crescido. Sinal de que, pelo menos, não há cartel no setor, como o próprio governo temia quando decidiu ausentar-se do mercado. Pesquisa do Procon de São Paulo mostrava em fevereiro que as diferenças entre o custo de um serviço em um banco e outro eram de 1.300%. Em abril, só dois meses depois, subiram para 1.566%. A mais recente, de agosto, aponta um fosso de 1.660%. Lembrete: o mercado hoje é livre, mas abusos ainda são ilegais e punidos conforme o Código de Defesa do Consumidor.SAÚDE
As importações são como o colesterol. Há o mau, quando crescem bens de capital, e o bom, quando crescem bens de consumo.
Alieto Guadagni
Secretário geral de Indústria e Comércio da Argentina





