Capital de giro (Ruth Meira)
EGIÃO DE EXILADOS
O planeta tem hoje
cerca de 120 milhões de
desempregados,
35 milhões dos quais nos países
industrializados.
Mas, para a francesa Viviane Forrester, não há uma crise mundial de emprego. Forrester é autora do best-seller mundial O Horror Econômico, editado no Brasil pela
Editora Unesp. Segundo ela, o desemprego é mesmo endêmico, permanente. De uma etapa de exploração do trabalho do homem, passou-se direto para outra, de exclusão, diz a autora. Em lugar da propagação da prosperidade, o que está ocorrendo é a mundialização da miséria, dispara.
Por sistema econômico, Forrester entende as organizações mundiais que ditam as regras da economia: Banco Mundial, OCDE, FMI, entre outras. São estes gestores do planeta que, em harmonia com as potências econômicas privadas (também mundiais), ejetam da vida uma grande parcela da humanidade. É assim que a sociedade tem-se organizado, é assim que o mundo vai funcionar nas próximas décadas, ela prevê, enquanto desmistifica algumas máximas da nova ordem econômica. As forças vivas (leia-se: os grandes grupos econômicos) estão mais de acordo entre si do que em competição, denuncia. Já o homem contemporâneo, em vez de temer a exploração pelo trabalho, tem medo - e vergonha - de não ser explorável. A vergonha agora é um elemento importante para o lucro. Deveria até ser cotada na bolsa de valores.
Até mesmo os jargões da globalização - o braço operacional do neoliberalismo, segundo Carlos Heitor Cony, que assina o prefácio da edição brasileira e define a obra de Forrester como um momento da consciência humana - são denunciados no livro de Forrester. Cortar gorduras, uma expressão familiar à empresa brasileira moderna para designar, quase sempre, a demissão de trabalhadores, é emblemática, diz ela. Significa suprimir a má gordura representada por homens e mulheres que trabalham. Oh, a questão não é suprimir a eles: fazer sabão com a gordura, fazer abajur com a pele, seria de mau gosto, fora de moda, em desacordo com a onda atual. Só se suprime o seu trabalho, o que afinal os coloca dentro da nova moda. Desempregados? Ora, é preciso saber acompanhar a época.





