CAPITAL DE GIRO
RUTH MEIRA
Sinal de alerta
O mergulho das Bolsas nesta semana não assustou o investidor miúdo. Mesmo os fundos de investimento formados por ações continuaram tendo adesão, dizem funcionários dos setores de atendimento de alguns bancos em Londrina. Com a queda brusca das Bolsas na terça-feira, quando a de São Paulo despencou 8,5% e a do Rio, 7,7%, claro que quem apostou os seus reais em ações ou nos fundos vinculados a papéis ficou com a pulga atrás da orelha. Mas a reação espetacular do dia seguinte permitiu aos estreantes do mercado de capitais - pouco acostumados ao sobe-e-desce do universo dos pregões - respirar aliviados.
Na verdade, quem está habituado a jogar nas Bolsas não se sobressalta facilmente com movimentos bruscos. Faz parte da aventura. Mas, nos últimos meses, houve aumento do número de pequenos investidores que se bandearam para o mercado de ações, seduzidos pela alta rentabilidade. São ex-poupadores das cadernetas ou antigos aplicadores nos CDBs e nos fundos de renda fixa. Como bons principiantes, entraram na roleta das ações na alta, com grandes chances de baterem em retirada no primeiro golpe - como aconteceu na terça-feira. Não foi isso, no entanto, o que se viu, pelo o que observaram atendentes das mesas de investimentos de algumas agências.
Para quem estreou recentemente no mercado de ações pela ‘‘porta dos fundos’’ (de investimentos), a orientação de especialistas é de que não se precipitem em mudar de posição. O economista londrinense Ismael Mologni acha que essa é uma boa alternativa de aplicação - para investidores de todos os calibres. Já quanto ao mercado individual de ações, a conversa muda. Mologni observa que há uma ‘‘luz amarela acesa’’, alertando para o risco de uma desvalorização da moeda brasileira, como tem ocorrido em países do Sudeste Asiático. Isto derrubaria as Bolsas de novo, afirma.
Mologni analisa: ‘‘Se houver mudança cambial, e o Real está sobrevalorizado na ordem de 20% a 25% diante do dólar, haverá repercussão no mercado de ações. Por isso, quem tem papéis de uma única empresa, como Telebrás, por exemplo, deve deixar esse mercado e partir para um fundo de ações, composto por papéis de mais de uma empresa. Os bancos podem informar quais as opções que o cliente tem à sua disposição e indicar ao investidor as que melhor combinam rentabilidade e segurança’’. Claro que, para os alérgicos a riscos, a opção da renda fixa é válida, observa. Mas, nesse caso, abre-se mão de rendimentos mais encorpados. Conclusão: decidir é mais uma questão de temperamento do que de raciocínio lógico.

Mudança de hábito


Arquivo FolhaBrasileiro não corre mais às casas de câmbio para comprar dólaresO susto das bolsas, nessa semana, serviu para revelar um novo comportamento dos brasileiros: ao contrário do que acontecia no pré-Real, quando multidões corriam às casas de câmbio para comprar dólares sempre que a economia sofria qualquer abalo, agora o que se percebe é maior confiança na moeda nacional - apesar dos temores quanto a desvalorizações, volta da inflação, fim da estabilidade. Takashi Yamaue, proprietário de uma casa de câmbio em Londrina, diz que em nenhum momento desde o início do Plano Real, há três anos, houve movimento súbito por compra ou venda de dólares em seu estabelecimento. Mesmo nesta quarta-feira, na ‘‘ressaca’’ da queda das Bolsas.
O volume de troca de moeda, hoje, equivale a 10% do que se verificava na época de inflação nas nuvens, diz o empresário. ‘‘Agora atendemos basicamente quem precisa de moeda estrangeira para viajar, ou pagar dívidas contraídas em dólar. Não há mais a especulação de antes’’. Nem mesmo os chacoalhões do Real, com pacotes, tarifaços e rumores de desvalorização da moeda empurram os brasileiros aos guichês para converter poupanças, CDBs e fundos em verdinhas. ‘‘A tendência é de extinção das casas de câmbio no futuro. E isso é bom. O País precisa de produção, não de especulação. Antes o que tínhamos eram ganhos irreais’’, diz Yamaue. Fernando Henrique concorda.


ECONOMÊS

Ataque especulativo - Quando investidores internacionais retiram os seus capitais de determinado país diante de moedas sobrevalorizadas. Eles se desfazem de suas posições em moedas locais e compram moedas fortes. Exatamente o que ocorreu na Tailândia, Filipinas e Indonésia nas últimas semanas.

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