Capital de Giro (Ruth Meira)
CAPITAL DE GIRO
RUTH MEIRA
Máquina de dinheiro
Apostar em ações foi, de longe, no primeiro semestre, o melhor negócio do mercado financeiro. Atiradores de grosso calibre e investidores mais modestos que encararam o risco bem remunerado das bolsas de valores saíram, mais uma vez, ganhando. Com as taxas menos interessantes nas opções de renda fixa, principalmente com as mordidas da CPMF, o mercado de ações disparou. Foi assim nos últimos 18 meses. Só nos seis primeiros meses de 97 a bolsa paulista subiu 78,51% e a carioca, 71,74%. Em 96, a primeira fechou com valorização de 63,76% e, a segunda, com 59,74%. Com a privatização dos milionários setores de telecomunicações e energia elétrica, tudo indica que o reinado da renda variável não pára por aqui.
Dialeto do pregão
Para quem tem pouca intimidade com o ambiente frenético das bolsas e pensa, um dia, em participar desse nervoso cassino financeiro, algumas expressões do jargão das mesas de câmbio:
Alugar barriga - Usar o limite de câmbio (definido pelo Banco Central) de outro banco para poder comprar mais
Comprador na base - Quando muitas pessoas estão comprando
Comprado - Quem comprou dólar à vista ou tem contrato de compra (de dólar, ações ou outro produto) no mercado futuro
Dado - Aplicado
Enfiar - Vender
Pagão - Comprador
Picado, picadeira - Quando se vende quantidades menores de 100 lotes
Pingue-pongue - Quando dois operadores ficam comprando e vendendo picado
Tomar - Comprar
Travar, hedgear - Fazer hedge (proteção). Trocar contratos com índices diferentes
Vendedor na base - Quando há um movimento muito forte de venda no mercado
Vendido - Quem tem contrato de venda
Janelas
e cérebros
ReproduçãoMoller: muito discurso e pouca prática quando tema é qualidadeOs bancos europeus gastam mais na limpeza das janelas do que no desenvolvimento de seus recursos humanos. Diante disso, parece ser mais importante ter janelas limpas do que bons cérebros. O tiro é de um dos papas da administração moderna, o psicólogo e economista dinamarquês Claus Moller, que, através de sua empresa de treinamento empresarial, assessora companhias do porte de American Express, Audi e General Motors. Em entrevista à revista HSM Management, de julho-agosto, Moller aconselha os empresários a colocarem os seus funcionários em primeiro lugar - assim, eles também colocarão o cliente em primeiro lugar. Satisfação em cadeia, ensina.
Idealizador da nova administração européia, o consultor conhece também os dramas da empresa latino-americana quando o assunto é relação humana no trabalho. Ele diagnostica: Comparando culturas diferentes, observa-se que a latino-americana tem uma característica própria: o hábito de falar muito e fazer pouco a respeito de qualidade. As pessoas não são treinadas desde pequenas a prestar atenção no que dizem os professores. Outro problema abaixo do Equador, segundo ele: Os altos executivos vivem no Primeiro Mundo e os funcionários, no Terceiro.
De olho no mundo
O
empresário brasileiro está cada vez mais plugado na concorrência estrangeira. A estratégia é conhecer o inimigo para poder competir de igual para igual. O número de participantes na Feira de Hannover, na Alemanha, atesta essa tendência. Em 1990, 42 expositores brasileiros marcaram presença na feira. Fizeram 800 contatos comerciais, com estimativa de venda a médio prazo de US$ 30 milhões. Esse ano, os números saltaram: foram 142 empresários, com 2.830 contatos e projeções de negócios da ordem de US$ 61 milhões.
Frequentadores a cada ano mais assíduos das 50 feiras e exposições que acontecem de janeiro a novembro na imensa vitrine de negócios que é a cidade alemã, os empresários buscam intercâmbio para vender produtos, fechar parcerias, renovar parques industriais, conhecer tecnologias de última geração e, agora, também importar.
Sebrae e Banco do Brasil têm tido papel importante nesse novo comportamento. Juntos, compram áreas extensas nos pavilhões e loteiam os espaços entre empresários interessados. A preço subsidiado. Isso facilita a participação dos fabricantes brasileiros, especialmente no caso dos marinheiros de primeira viagem, que ainda não têm as manhas do negócio.





