Capital de Giro (Ruth Meira)
Enquanto a indústria brasileira atravessava o terremoto da abertura, debatendo-se com a concorrência do produto estrangeiro, um setor assistia quase de camarote a essa revolução no mercado. O de móveis. Junto com o setor de serviços, fechado naturalmente à concorrência estrangeira pela característica do negócio - não dá para importar eletricistas, dentistas e manicures - a indústria moveleira não teve que pagar, nos primeiros momentos da abertura, o preço da globalização.
Mas o setor começa a ganhar desenho novo. Se ainda não viu seu mercado invadido por forasteiros com tecnologia de ponta, novos designs e - a maior das ameaças - preços baixos, o setor de móveis já está sendo sacudido pela chegada dos estrangeiros. A incorporação das menores faixas de renda ao consumo no Brasil atiça o interesse de fabricantes de outros países. Eles não querem só desembarcar contêineres e contêineres de mercadorias em território brasileiro, não. Estão de olho em parcerias com empresas nacionais, para fabricar aqui os seus produtos.
A primeira grande negociação aconteceu com a venda da Oca, fabricante paulista de móveis de escritório, no ano passado, para uma gigante norte-americana: a Steelcase Inc. Nada mais, nada menos, a líder mundial neste segmento, que fatura o equivalente à metade de todas as vendas das 13.500 empresas nacionais e emprega 19 mil funcionários em 12 países.Agiotas
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