Capital de Giro (Ruth Meira)
Capital de Giro (Ruth Meira)
A BRIGA DA ETIQUETA
Está prorrogado até 9 de março o prazo para os supermercados no Paraná acatarem ou se livrarem de vez da determinação do governo federal de etiquetar preços em todos os produtos. O Secretário Especial de Defesa do Consumidor, José Tavares (foto), baixou ontem nova resolução em que adia a decisão final por mais 90 dias. Ele aguarda parecer da Procuradoria Geral do Estado sobre o assunto. Nos Estados onde a medida está valendo, a empresa que descumprir a determinação - baseada no artigo 31 do Código de Defesa do Consumidor - paga multa de até R$ 2,8 milhões.
Segundo a Associação Paranaense de Supermercados (Apras), existem no Estado 1.400 lojas - controladas por 590 empresas - das quais 70% automatizadas. Os produtos nesses estabelecimentos têm preços fixados através de código de barras nas embalagens. O consumidor pode conferir os valores através de scanners nos caixas ou através de leitores espalhados entre as gôndolas. Para os supermercadistas, esse sistema é mais prático, moderno e econômico do que as velhas etiquetas coladas nas mercadorias. O presidente da Apras, Moacir Moura, diz que o adesivo fixado com as velhas remarcadoras seria hoje um mero adereço, sem utilidade para o consumidor mas um fator de aumento nos preços finais.
Ademar Vedoato, diretor regional da Apras em Londrina e gerente de compras da rede Viscardi, diz que a aplicação da medida representaria um retrocesso para o setor. O consumidor adaptou-se muito bem ao sistema informatizado, que substituiu o antigo com vantagens, diz. Depois de um mês de novembro cinzento - com vendas inferiores às de 97 - a perspectiva para dezembro é de uma boa virada, afirma o supermercadista. Mas nada como nos bons tempos de largo consumo, como no início do Real, quando se vendia em dezembro até 50% mais do que nos outros meses do ano. Agora, se repetirmos dezembro de 97 e vendermos 20% mais do que no resto do ano, ficaremos satisfeitos.
RAIO-X DO SETOR
O conceito de supermercados nasceu no Brasil há pouco mais de cinco décadas, quando as grandes lojas surgiram como alternativa às mercearias, armazéns e feiras livres. Hoje, o País conta com uma rede de 50 mil lojas, que participam com 6% do PIB nacional e geram 650 mil empregos diretos. A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) encomendou um estudo ao Instituto A.C. Nielsen e constatou que 99,8% da população brasileira se abastece em supermercados. De 1990 a 1997, o setor nadou de braçada: as vendas cresceram mais de 75%, alcançando faturamento de R$ 50,4 bilhões no ano passado.
Por enquanto, o País apresenta baixa concentração nessa área mas a tendência é de fusões e incorporações, com o fim dos estabelecimentos de médio porte. Hoje, no Brasil, as cinco maiores redes supermercadistas ficam com 26% do mercado. Se forem consideradas as 300 maiores redes, cerca de 40% do mercado fica nas mãos de 20 grupos.
Arquivo FolhaCatuaí: 30% vêm de foraUM PÉ NO ATRASO
A saída da Mesbla de Londrina reacende uma discussão velha - não só cronologicamente. Uma cidade com pretensa função de pólo regional não poderia mais estar discutindo se as lojas devem ou não ter liberdade para funcionar. Se enfermeiras, taxistas, médicos, bilheteiros de cinema, feirantes,
atendentes de farmácias, policiais, vendedores de jornal, técnicos da companhia de luz, garçons e tantos mais profissionais decidirem que não é adequado trabalhar nas noites de sábado e aos domingos, a cidade entra em colapso.
Com o varejo, especialmente nesses tempos de consumo retraído, não é muito diferente. Quando o consumidor encontra as portas das lojas fechadas, desiste, sim, de comprar determinados produtos que, naquele momento, não hesitaria em levar para casa. Uma venda perdida dificilmente se recupera.
Sem contar a legião de consumidores de fora que poderia frequentar mais a cidade-pólo do Norte do Estado, se encontrasse os estabelecimentos comerciais abertos em uma tarde de domingo, por exemplo. O Shopping Catuaí está aí para confirmar. Nos fins de semana, desfila pelas guaritas do shopping uma procissão de carros com placas de cidades da região e interior paulista. O raio de influência do shopping - e, portanto, do comércio local - é de 180 quilômetros. Pesquisa feita no ano passado mostrou que pelo menos 30% do fluxo mensal de visitantes não mora em Londrina. Não dá para desprezar.





