Capital de Giro (Ruth Meira)
Capital de Giro (Ruth Meira)
ALTA ESTAÇÃO, BAIXO LUCRO
Com a decolagem dos juros, a Agência Brasileira de Agências de Viagem (Abav) moderou as suas projeções para o movimento de turistas neste verão 98/99. Entre os dias 15 de dezembro e 28 de fevereiro - o pico da estação quente - a estimativa é de que 719.280 brasileiros viagem para destinos nacionais e outras 720 mil pessoas rumem em férias para o exterior. Se as projeções forem confirmadas, haverá crescimento de 35% sobre o movimento de turismo doméstico em 97/98 e de 20% sobre o de turismo internacional no mesmo período. É menos do que o setor projetava antes da crise internacional.
Com o crescimento previsto, que representaria aumento de no máximo 27% sobre o total de passageiros registrado em 97/98, as agências de viagem já vêem ameaça no ar. A queda dos preços dos pacotes, nos últimos meses, torna esse movimento insuficiente para garantir a rentabilidade das empresas do setor. Previsão de queda: 5%.
SUL MARAVILHA
Os números foram extraídos de uma sondagem feita junto a 130 agências de viagem no País, proporcionalmente ao tamanho do mercado de cada região brasileira. O grosso dos turistas são residentes no Sudeste e Sul do País. Por isso, 76,9% das agências consultadas são dessas regiões. No Sudeste, especificamente, está o filé do turismo brasileiro: 59,6% dos agentes ouvidos no levantamento são de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. O Sul participa com 17,3% na amostragem; o Nordeste, com 12%; o Centro-Oeste, com 6,4% e o Norte, com 4,7%. Detalhe: a coleta de informações foi feita na última semana de outubro, auge da crise econômica. É possível deduzir que os agentes, contagiados pelo cenário de catástrofe econômica, tenham exagerado no pessimismo.
PARAÍSOS TROPICAIS
O Nordeste pode não ser o maior fornecedor de turistas para esse megamercado em franco crescimento mas é, disparado, o maior anfitrião. Porto Seguro e Salvador, na Bahia, Natal, no Rio Grande do Norte, Fortaleza, no Ceará, Recife e Porto de Galinhas, em Pernambuco, e Maceió, em Alagoas, são os destinos preferidos dos brasileiros que decidem desfrutar o seu período de descanso em um pedacinho do território nacional. Afinal, são 8 mil quilômetros de litoral, sem contar a selva amazônica e o os pontos de turismo ecológico, cada vez mais numerosos.
BALANÇA ÀS AVESSAS
Os mesmos lugares que atraem os brasileiros são os que trazem para o País os estrangeiros (o chamado turismo receptivo). Ao contrário do que acontece com a balança comercial, aqui sim, temos superávit: a cada ano, o Brasil exporta 4 milhões de brasileiros para outros países, enquanto recebe 2,5 milhões de estrangeiros.
Os turistas que decidem queimar verdinhas em outras paisagens preferem, na América do Norte, Flórida, Nova York e Califórnia (nos Estados Unidos) e o Canadá. Os destinos campeões de venda na Europa são França (Paris), Inglaterra (Londres), Espanha (Madri) e Portugal (Lisboa). No Caribe, as sensações são Cancún, Aruba, Curaçao, Cartagena e Isla Margarita. E, na América do Sul, Argentina (Buenos Aires), Chile (Santiago) e Uruguai (Punta Del Leste).
TEMPO FECHADO
Mais do que as intempéries, o terror dos agentes turísticos esse ano vai ser mesmo o juro alto. Nessa atividade, o financiamento é carro-chefe das vendas. Dos entrevistados, 85% acham que as taxas nas alturas vão prejudicar a prevista expansão da demanda turística nos próximos meses. Especialmente se o governo não colocar freio nos juros antes do lançamento dos pacotes turísticos para a baixa temporada (março/abril/maio e junho de 99) e para a alta temporada de 99 (julho). De duas, uma: ou as taxas caem, ou o setor não decola. Sem preços atrativos, vai ser difícil convencer viajantes a fazer as malas fora de temporada, eles apostam.
PRIMO POBRE
O estudo mostra que o Paraná fica praticamente fora do mapa turístico nacional, segundo o ranking dos principais destinos dos brasileiros que viajam internamente. O Estado não pega nem rabeira na lista dos paraísos que povoam o sonho dos turistas e, no Sul, perde de goleada para Santa Catarina e Rio Grande do Sul, com as suas praias e serras. Apesar de Foz do Iguaçu, o nosso maior cartão postal, e de contar com praias ensolaradas na alta estação, nesse campeonato o Estado ainda está na terceira divisão.
O turismo é uma mina de ouro. Maior empregador do planeta - de cada nove empregos, um está ligado ao setor - é multiplicador de atividades. Só um exemplo: no Nordeste, na alta temporada 97/98, as empresas de locação de veículos comemoraram a mais alta taxa de locação de suas frotas: em torno de 85%. O aumento foi de 15% sobre o resultado do ano anterior. Empresários do setor não têm dúvidas de que a liberação dos descontos nas passagens aéreas - a guerra das tarifas - teve influência direta nesse bom desempenho.





