Capital de Giro (Ruth Meira)
Capital de Giro (Ruth Meira)
CAIXA PRETA
A dois dias das eleições presidenciais, a pergunta que fica no ar é: o que vem por aí com a mais que provável vitória de Fernando Henrique Cardoso? A equipe econômica vai abrir o saco de maldades, como gosta de dizer o xerife do Banco Central, Gustavo Franco, e embrulhar trabalhadores e empresários em um pacote fiscal? O governo vai partir para uma terapia de choque? Os impostos sobem? Os juros descem? O real despenca diante do dólar? Que cartas o ministro Pedro Malan pretende tirar da manga, se é que vai continuar dando cartas na política econômica do País na travessia de 99? A temporada de apostas está aberta. Fernando Henrique, pelo menos durante a campanha política, disse e repetiu que vai ser enérgico na área fiscal, mas jurou que o Real continua. Se as regras do jogo não mudam, como ele garante, já deu para sentir que o ingresso vai ficar mais caro. Veja quais são as expectativas de alguns paranaenses para depois das eleições.
Arquivo FolhaSciarra: ajuste gradual
Eduardo Sciarra, secretário estadual da Indústria e Comércio: Acho que terão que vir medidas duras. Mas não acredito em um pacote, uma medida num tiro só. O ajuste deverá ser gradual. É preciso reduzir o déficit e equilibrar a receita e a despesa do País, por isso o governo já vem falando em um pacto nacional. Imagino que o ajuste não será só interno, dentro do governo, porque a urgência de soluções vai exigir que elas se estendam também à sociedade. O aumento de impostos é quase certo e, apesar de recessiva, esta é uma medida necessária nesse momento de crise mundial. Claro que a redução da arrecadação terá reflexos para o Paraná, como para todos os Estados, mas há sacrifícios que têm que ser feitos.
Arquivo FolhaCândida: sem raios do céu
Maria Cândida Marquezine, empresária londrinense, dona da grife Seda Cáustica: Vejo com tranquilidade o momento seguinte às eleições, com a vitória de quem quer que seja. Se o Fernando Henrique for reeleito, acho que não vai colocar a sua credibilidade em risco baixando pacotes como o Collor fez. Tenho a impressão de que o governo só vai dar continuidade ao que já tinha planejado mas que não pôde, por falta de força política, talvez, colocar em prática. Deve haver mudança de impostos, mas nem aí espero que caiam raios do céu. O governo sabe que o empresário já tem uma carga fiscal alta demais e, se exagerar na dose, só vai aumentar a sonegação. Até nisso acho que vai haver moderação em relação às medidas. Mas mexida na economia tem que ter, porque o momento é crítico e precisamos colocar esse País nos trilhos. Vamos ter que pagar o preço de sair dessa situação, que não criamos. Mesmo que a oposição viesse a vencer as eleições, não acreditaria em grandes surpresas. Estamos em uma democracia. Pra fazer qualquer coisa, é preciso passar pelo Congresso, não é?
Arquivo FolhaHiraiwa: medidas austeras
George Hiraiwa, franqueado do McDonalds no Shopping Catuaí em Londrina: Não acredito que o governo já tenha um pacote pronto para baixar logo depois das eleições, se vencer, como tudo indica. Mas que virão medidas austeras por aí, disso não tenho dúvidas. O próprio Fernando Henrique tem dado esse recado. Mas não espero medidas catastróficas, radicais. O próprio governo não deve ter ainda um pacote fechado que pretende baixar de um dia para o outro. Acredito que esteja avaliando o cenário econômico internacional para decidir o que fazer internamente. Uma coisa é certa: o ajuste fiscal é urgente. Se vai subir imposto, não sei. Só sei que baixar, não vai.
Arquivo FolhaDenilson: mais desemprego
Denilson Pestana, presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil na região de Londrina, que abrange 23 municípios:Não dá pra ter dúvida sobre o que vem por aí com a reeleição do Fernando Henrique. É pacote, juro alto e mais desemprego. O plano do governo é baseado nisso. A inflação zero acabou sendo um castigo para o trabalhador. Era melhor uma taxa controlada, de 2% ou até 4% por mês, mas com algum crescimento econômico. As empresas não podem investir, não conseguem pagar os salários. Tem algumas que estão parcelando até rescisão de contrato. Esse ano já foi difícil, temos 3 mil trabalhadores empregados enquanto que há dez anos eram 13 mil. Com certeza a crise vai se agravar em 99. O trabalhador tem cada vez menos perspectivas. Moeda forte para quê, se a gente não tem nenhuma no bolso?
PROMESSAS DO GOVERNO
Veja o que FHC disse durante a campanha eleitoral
Não haverá pacote após as eleições. As medidas serão adotadas de forma transparente, sem surpresas.
A política econômica ganhará contornos mais ortodoxos, mas o governo não vai se afastar um milímetro da atual política cambial. Traduzindo: o real não será desvalorizado.
Ortodoxia será: juros altos, corte de despesas e, se necessário, elevação da receita via aumento de impostos.
Se for possível elevar a arrecadação com um rigoroso programa de combate à sonegação, o aumento de impostos pode ser evitado.





